Slin Ribeiro assume presidência da Comissão de Direito do Terceiro Setor OAB-ES

Desde a modernização do modelo administrativo da gestão do Carnaval Capixaba, os dirigentes da Liesge e Lieses tem conquistado cada vez mais prestígio em espaços onde por muitas vezes as escolas de samba não tinham tanto espaço. Dessa vez, o carnaval abre mais uma porta em um dos espaços mais importantes para o terceiro setor. Slin Ribeiro, diretor da Mocidade Unida da Glória e também da Liesge, é o novo presidente da Comissão do Terceiro Setor da OAB-ES. Comissão essa que é responsável pelas questões legais relacionadas a organizações não governamentais (ONGs), fundações e entidades filantrópicas. O novo presidente da comissão destacou como é importante para o carnaval ter seus representantes em determinados espaços. “A importância de ter o diretor jurídico da Liesge ocupando a função de Presidente da Comissão é de extrema relevância para as organizações e associaçãos carnavalescas, podendo contribuir ainda mais no debate e qualificação das entidades, e poder se habilitar, por exemplo, em editais de leis de incentivo e ultrapassar as barreiras de compliance de grandes grupos empresariais que queiram investir na cultura, no esporte e no social como um todo”, explicou. Slin acrecentou que as escolas já apresentam números positivos para a economia do Espírito Santo e que a tendência é aumentar ainda mais. “As entidades carnavalescas capixabas integram o terceiro setor da cadeia produtiva e, por anos, já demonstram isso com relevantes números para a economia do Estado. Ter uma comissão permanente na OAB-ES que possa interagir entre as entidades, poder público e empresas privadas será de extrema relevância para o crescimento do setor e profissionalização dos gestores. Já temos isso como meta na comissão”, finalizou Slin.

Chegou lota pracinha de Goiabeiras e celebra aniversário de 49 anos nos braços da comunidade

Seis de junho de 2024 ficará eternizado na memória do sambista torcedor da Chegou O Que Faltava. Em pleno dia útil, a tricolor de Goiabeiras reuniu uma multidão para vê-la comemorar seu quadragésimo nono aniversário. Numa noite recheada de emoções, mostrou mais uma vez que segue no caminho certo para brigar pela tão sonhada primeira estrela em seu pavilhão. Abrindo a noite a bateria Ritmo Nervoso, dos mestres Alcino Jr. e Jorge Borges, fez seu esquenta, a Velha guarda pediu passagem, seguida das baianas, passistas e destaques. Thalita Zampirolli foi coroada pela ex-rainha Jamila Alvarenga e afirmou em seu discurso que retornou para o Carnaval Capixaba com desejo de ser campeã. O momento áureo da noite foi a posse do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcel e Malu. Os dois receberam de Amanda e Kleyson o pavilhão azul, branco e rosa pela primeira vez, bailaram ao som do hino da escola, do samba de 24 cantado pelo renovado Igor Vianna, e foram aplaudidos por diversos casais de outras agremiações que estavam presentes e toda diretoria. O “Dia da Chegou” reafirma o bom momento da escola. Enredo lançado, camisas esgotadas durante a festa, rainha coroada, segundo casal empossado, e o melhor, tudo nos braços de sua comunidade mais uma vez.

São Torquato ‘aposta’ em enredo popular e atual para voltar ao Grupo Especial

A Independentes de São Torquato lançou no último final de semana seu enredo para o desfile de 2025. Com o título “Em busca da sorte…Quem não arrisca não petisca! Vamos apostar”, a vermelho e branco sonha novamente em voltar ao Grupo Especial do Carnaval Capixaba. Em entrevista ao Capixabices, o carnavalesco Oziene Furttado explicou como o tema foi concebido. “Foi uma ideia acordada com o presidente da escola. Ele pediu que eu fizesse uma pesquisa de enredos e quando apresentei este, ficou bem feliz. Queremos apresentar um enredo diferente, com uma linguagem mais para o povo. Falando da vontade do ser humano de apostar, acreditando através de amuletos que pode obter sucesso. A escolha foi principalmente pelo tema ser atual e dialogar tanto com componente da São Torquato, quanto o folião que vai ao Sambão do Povo assistir o desfile. A conexão precisa existir”, explicou. Apesar da sinopse ainda não ter sido divulgada, Oziene antecipou alguns detalhes que podem animar o torcedor da São Torquato. O enredo também terá ligação com o cinquentenário da escola. “Queremos despertar a curiosidade nos jogos, os amuletos como pé de coelho, ferradura, trevo de quatro folhas e por aí vai. E a possível condição que eles trazem de ser forma de entretenimento para as pessoas. Em todas as apostas vem a questão da dúvida, se vai vencer ou não. Vamos citar também o cinquentenário da escola, falando da grande aposta que é o carnaval, que começa desde quando o tema é elaborado, ganhar ou perder é uma consequência do bom trabalho. Queremos fazer com que o desfile de 2025 relembre os tempos áureos da década de 80, quando ganhou diversos títulos”. Em seu segundo ano consecutivo na escola, o artista explica que apesar do carnaval de 2024 não ter sido campeão, serviu de muito aprendizado para diversos departamentos da escola, incluindo presidência. Oziene também afirma que os planos para 2025 são ousados. “Quando fui convidado para executar o trabalho em 2024 viemos para fazer um grande desfile. Sou profissional do Rio de Janeiro, então ir para outra cidade, com nova filosofia, é bem diferente. Fui para Vitória e dei o meu melhor. Foi de fato uma grande ‘aposta’. Cheguei para poder mudar e deixar minha marca estética. Enfrentamos dificuldades, claro, principalmente na questão financeira. O bom trabalho vem de um conjunto de fatores. Uns dão certo, outros nem tanto. Os ajustes para 2025 já começaram, vamos trabalhar em cima do que não foi tão bom e faremos melhor. Me surpreendi neste ano porque a gente não tinha certeza de nada e somos reféns da avaliação do corpo de jurados. Vamos nos dedicar onde falhamos. O componente pode avaliar o desfile na emoção, mas nós, profissionais, precisamos avaliar pela razão”. Além da área artística, Oziene também está se integrando cada vez mais com a comunidade. Segundo ele, os fiéis torcedores da São Torquato estarão cada vez mais presentes nos ensaios até o desfile. “Nossa meta é trazer a comunidade mais pra perto. Faremos um trabalho totalmente dedicado a ela, resgatando os talentos. A intenção do enredo ter uma linguagem popular foi também devido a isso. Um ponto muito importante que coloquei para diretoria foi de agregar mais a comunidade. Escola de samba sem comunidade não tem identidade. O resgate já começou, queremos estar juntos. Fazer da escola uma extensão do quintal da casa de cada componente”, finalizou.

Feira do Samba: Sambistas se encontraram no Mucane para debater o Carnaval de Vitória

A Feira do Samba terminou neste domingo (5) e foi um sucesso. O evento, mais uma vez, mostrou que os sambistas capixabas querem – e gostam – de pensar carnaval o ano inteiro. Na sexta-feira, a primeira roda de conversas foi com Junior Schall, da comissão de carnaval da Portela. Além de suas experiências em diversas escolas do eixo Rio-SP, Schall explicou a necessidade de cada vez mais as agremiações entenderem sobre gestão de pessoas. No sábado, dois craques nos quesitos que comandam abriram os trabalhos. Slin Ribeiro, da MUG, e Anderson Binão, da Boa Vista, falaram das suas vivências, da importância das equipes, dos sucessos e insucessos. Em seguida, Pâmela dos Santos (Novo Império), Rislainy Rosa (Chegou O Que Faltava) e Orlaine de Sá (São Torquato) questionaram se o samba é realmente para todas as pessoas e a ausência de mulheres em diversos cargos de liderança nas escolas. Depois do almoço, o primeiro assunto foi sobre “Enredos” com dois grandes enredistas. Marcus Vinicius e Leonardo Soares. Mediada por Vinicius Vasconcelos, do Capixabices. Em seguida, Jocelino Junior e Patrick Rocha foram responsáveis pela mesa sobre gestão cultural e carnaval. Foram duas óticas diferentes. Uma da escola que caminha para o sucesso (Piedade) e outra de uma escola que tem empilhado troféus nos últimos anos (MUG). Para finalizar o dia, mestre Lolo, da Imperatriz Leopoldinense, compartilhou toda sua vivência de ritmista até chegar ao cargo mais alto da bateria. A presença maciça de ritmistas e mestres nesta última foi o grande destaque. O presidente Sandro Rosa, da Lieses, um dos organizadores da Feira, garantiu ao Capixabices que mais eventos como este vão acontecer no decorrer do ano. “Temos feito há dois anos eventos desse tipo para trazer qualidades e melhorias para as escolas e diretores de todos os grupos do carnaval. Queremos que todas escolas cheguem na avenida sem dúvidas nos quesitos e a troca é muito importante. O Grupo de Acesso tem crescido mais e mais, muito também devido a esses eventos. As palestras e rodas de conversa, com troca de conhecimento, contribuem muito para o sucesso nos desfiles”, afirmou Sandro.

Edson Neto é aclamado novamente presidente da Liesge

No último sábado (27) a Liesge, instituição que rege as escolas do Grupo Especial do Carnaval Capixaba, elegeu por aclamação a chapa do atual presidente Edson Neto. Além de Neto, os seguintes nomes compõem a chapa. – Vice-presidente: Emerson Xumbrega (Boa Vista)– Presidente do Conselho Deliberativo: Vlamir de Oliveira (Novo Império)– Vice-presidente do Conselho Deliberativo: Robertinho da MUG– Presidente do Conselho de Ética: Jocelino Jr. (Piedade)– Membro do Conselho de Ética: Ewerton Gigante (Jucutuquara)– Presidente do Conselho Fiscal: Dannilo Amon (Pega no Samba) Presidente Rafael Cavalieri presidiu a Comissão Eleitoral, ao lado de Slin Ribeiro e João Filipe. Com isso não ocupará cargo na nova gestão. A manutenção dos nomes que já participaram do processo de construção dos últimos três carnavais é mais um ponto positivo da Liga no que diz respeito a valorização dos presidentes das agremiações e também do processo de escuta dos mesmos. Eleito ainda em 2021, para o quadriênio de 2021-2024, Neto enfrentou de cara o desafio da pandemia. Encarou de frente, adiou quando precisou e manteve firme o propósito de realizar os desfiles em abril, como forma de resgatar a cultura para o capixaba quando a pandemia cessou. Escutou o público do carnaval quando foi questionado sobre as ‘tapadeiras’ na concentração, e, ao lado do diretor de carnaval na época, Jocelino Jr., trouxe novamente as telas e acrescentou telões para que aquele público pudesse ver os desfiles por completo. Promoveu os minidesfiles de 2023, antecipando o calendário das escolas e fez com que a construção do carnaval seguinte fosse adiantado. Alterou o sistema de iluminação do Sambão do Povo, mantendo as cores das agremiações durante o sinal amarelo. Mais recente, intensificou os diálogos com Prefeitura de Vitória, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento da Cidade e Habitação, para que a ‘Cidade do Samba’ finalmente deixe de ser um sonho e passe a ser uma realidade. A nova diretoria da Liesge será responsável pela gestão do próximo quadriênio (2025-2028) dos desfiles do Grupo Especial, e caminha junto com a Lieses para crescimento exponencial do nosso carnaval. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por CAPIXABICES (@capixabices_)

“Enredo da MUG fala de um São Jorge padroeiro do Brasil informal”, afirma Petterson Alves

De olho no tricampeonato inédito, a Mocidade Unida da Glória lançou no último domingo seu enredo para o carnaval de 2025. São Jorge, padroeiro da escola, será o homenageado no Sambão do Povo. Mais uma vez o enredo tem autoria do carnavalesco da escola, Petterson Alves, e do enredista Leonardo Soares. Segundo Petterson, o tema surgiu ainda em 2023, quando a MUG se preparava para a Feijoada do Santo Guerreiro naquele ano. “Foi um enredo bastante intuitivo, podemos dizer dessa forma. Eu estava com Jurandy dessalgando as carnes da feijoada de 23. Então brinquei com ele ‘imagina a MUG bicampeã indo para disputa do tri, o que faremos?’, ele disse que não fazia ideia. Então só apontei para as carnes e a arrumação e ele entendeu. Disputar um terceiro título consecutivo, com o Santo de devoção de grande parte do povo brasileiro é emocionante”, contou Pett. O artista fez questão de dizer e, de certa forma, tranquilizar alguns amantes do Carnaval Capixaba e da MUG, que o enredo da vermelho e branco não será bibliográfico. O São Jorge da escola será aquele que tem mais conexão com o povo brasileiro. “Quando expliquei para Robertinho a primeira coisa que eu disse foi que não queria fazer o enredo batido, bibliográfico. Todo mundo sabe que São Jorge nasceu na Capadócia, lutou, serviu ao exército romano. Essa não é a ideia. Quero falar da veneração, da conexão com o brasileiro. Sincretizado, ele é Ogum. Realmente o ferro. Um ímã que conecta as pessoas. É um santo que não tem distinção de cor, credo, sexualidade. É um santo que abençoa e cobre com sua capa encarnada. É venerado pelo preto, branco, pobre, rico, marginalizado, suburbano, inocente, condenado. É o Santo popular. Ele está no altar da igreja católica e no do botequim, a mesma devoção da carola é a do dono do bar. Isso é o retrato do povo brasileiro”, destacou. Nesta segunda passagem de Petterson pela MUG, a plástica dos dois últimos carnavais da escola foram completamente distintas. Para 2025, o carnavalesco afirma ser mais uma aposta da atual campeã.  “A MUG é uma escola eclética. Já fez de tudo, mas com religiosidade dividida entre cristianismo e sincretismo, não. Está sendo um grande desafio logo de cara para a escola. Foi uma emoção muito grande na apresentação do tema na feijoada do último domingo (21/04). Estava estampado no rosto do muguiano a satisfação de ter o santo protetor materializado como enredo. Nós, como artistas do carnaval, precisamos ter a percepção do enredo assim que ele é lançado. Isso também é um termômetro, a aceitação da comunidade é de extrema importância. Foi aceito de forma unânime. Por cristãos, umbandistas e candomblecistas que fazem parte da escola. É um sonho do Robertinho que vamos correr atrás, ele já tem 9 estrelas, mas quer o tri. E iremos em busca pedindo a São Jorge e a Ogum, senhor das estradas, para tirar todos os percalços e que mantenha o trilho em linha reta para o sonhado tri”. Apesar da ancestralidade fazer parte da construção do que conhecemos hoje como escola de samba, o carnaval de Vitória se acostumou a não ter enredos com temáticas africanas na avenida, principalmente no Grupo Especial. Enquanto em outras praças como São Paulo e Rio de Janeiro a religiosidade frequentemente está presente, por aqui pouco se fala do culto aos orixás. Sobre a responsabilidade da MUG em estar novamente na vanguarda, Pett diz que acima de tudo é preciso ter respeito. “Nós vivemos num país extremamente preconceituoso. Ao ponto de que negros escravizados quando foram trazidos para o Brasil precisaram sincretizar São Jorge com Ogum para que pudessem cultuá-lo. Muitas vezes as pessoas parecem esquecer de onde vem as escolas de samba e que elas nasceram dentro de um terreiro. É um novo desafio. É a atual campeã, num município bastante religioso, que é Vila Velha, abordando um tema sobre São Jorge e com recorte no sincretismo de matrizes africanas. Eu e Léo estamos estudando tudo com muito carinho porque queremos o santo das duas vertentes e dentro do dia a dia do cotidiano brasileiro. Afinal, estamos num país laico.”, finalizou.

Jorge Mayko sobre enredo do Pega no Samba para 2025: “O povo preto existe e resiste”

Na última semana o Pega apresentou para o mundo do samba seu enredo para 2025. O segundo divulgado do Grupo de Acesso A, e o primeiro tema afro da temporada. “Pembelê, sereias de Zambi” é o título do tema assinado pelo carnavalesco recém contratado Jorge Mayko junto do enredista Marcus Vinicius Sant’ana. *(de origem angolana, a palavra “pembelê” significa “eu vos saúdo”). Empolgado e ciente da responsabilidade de levar um enredo afro num estado tão conservador e dominado pelas igrejas neopentecostais quanto o Espírito Santo, Jorge conversou com o Capixabices e explicou que sereias são essas que irão para a avenida com o Pega em 2025. “Pembelê, sereias de Zambi surge a partir do momento de desmistificação da sereia branca europeia. Essas figuras femininas fortes, que são inkices, já eram cultuados em Angola e Congo há centenas de anos atrás. Elas chegam ao Brasil por meio dos negros escravizados e começam a ser cultuadas principalmente dentro do candomblé e da umbanda, com Oxum e Iemanjá, porque estão ligadas direta ou indiretamente ao mar. O enredo é necessário pela manutenção e respeito às religiões de matriz africana”, explicou Jorge. O artista acrescenta que apesar do estereótipo “áfrica é somente palha” que essas temáticas recebem no carnaval capixaba, a vertente utilizada pelo Pega no próximo desfile será diferente. “É uma mescla de várias situações e momentos. Primeiro por ser um afro, mas não aquele afro que as pessoas esperam de palha, sofrimento e dor. É um afro para o lado aquático, com as vertentes religiosas, que é algo que bato muito na tecla. Nos acostumamos a não ver potências africanas na avenida. O Pega é uma escola de comunidade preta, que consegue levar esses enredos com muita garra. Vestem a camisa e se jogam. Esse pra mim foi o grande fator. Acredito no carnaval como agente transformador, é preciso introduzir e levantar questionamentos, produzir assuntos e valorizar o que é nosso. Foi um grande encontro esse enredo, as pesquisas têm sido incríveis, já fomos ao terreiro e foi uma experiência muito bonita ver que está tudo fluindo bem”. No desfile de 2024, Pega no Samba e Jorge Mayko estavam em sintonias diferentes. A escola de Consolação havia acabado de subir para o Especial e buscava sua permanência. Jorge estava na Chegou, uma das grandes cotadas para brigar pelo título de campeã do carnaval. A apuração passou, o Pega sofreu o rebaixamento num desfile complicadíssimo, a Chegou ficou com a quarta colocação e algumas semanas depois o artista se desligou da tricolor de Goiabeiras. Rumo a 2025, os caminhos se cruzaram com uma oportunidade para o artista e para a escola. Será o primeiro carnaval solo de Jorge, numa agremiação que quer novamente o título do Acesso, grupo que consolidou o carnavalesco como um dos grandes da atualidade. “Chego numa escola onde basicamente tudo deu errado. Foi um carnaval extremamente difícil para essa comunidade. Sentei com cada diretor e segmento para ouvir e entender. Além da construção do desfile, nós procuramos entender os anseios que temos que trabalhar nos próximos meses. Fui do Pega por vários anos fazendo comissão de frente, então já tinha uma certa acessibilidade por grande parte das pessoas, foi uma recepção muito bacana. Visitei os barracões e a escola tem uma grande quantidade de materiais que não foram para a avenida, principalmente de ferragens. Alas prontas em costura que não desfilaram por determinadas situações. Não tem nada mirabolante no nosso projeto de carnaval, trago minha experiência do fazer com nada, também para agregar ao Pega”, finalizou.

Liga cumpre papel social e distribui kits de alimentos arrecadados no desfile

Na manha desta sexta-feira (5), o presidente Edson Neto, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, e a secretária municipal de Assistência Social de Vitória, Cintya Schultz, entregaram em São Pedro os kits de alimentos arrecadados no desfile 2024. Ao todo, mais de 3,5 toneladas de alimentos serão destinados aos cadastrados. Ao Capixabices, o prefeito destacou a importância deste momento. “Muita gente vive da atividade cultural e artística que é o carnaval. A Liga e as escolas estão manifestando em atos concretos sua parte solidária. Nós passamos por uma pandemia, foi muito dificil, mas conseguimos superar. Como prefeito posso afirmar que fazer obra é importante, construir escola e asfalto também, mas o mais importante e o foco tem de quem está na vida pública tem que ser cuidar de gente, de famílias. Tenho certeza que é isso nós estamos fazendo”, disse Pazolini. Cintya Schultz, secretária municipal de Assistência Social de Vitória, acrescentou: “A Liga desde o primeiro ano da gestão tem sido nossa parceira. Desde os eventos que organiza até os desfiles onde arrecada alimentos. Nós encaminhamos através dos nossos cadastros e fazemos chegar às famílias. Essa é mais uma forma de reconhecer o direito humano a alimentação”. Segundo presidente Edson Neto a intenção é que em 2025 ainda mais alimentos possam ser arrecadados e mais pessoas beneficiadas. “É um momento super importante para o carnaval. Se fosse em dia de apuração, diria que hoje somos nota 10. Eu venho de comunidade, do Morro do Quadro. Estou muito feliz e quero agradecer ao prefeito. Quando assumimos a Liga ele nos desafiou, disse que era preciso fazer mais além do desfile, que era preciso se inserir mais nas comunidades. Nós compramos a ideia e hoje é fruto do desafio. Passamos por pandemia, sofremos juntos e construímos um caminho ano após ano, fazendo com que carnaval não seja apenas a festa. É geração de emprego, renda e solidariedade. Afirmo novamente que a Liga está de portas abertas para parcerias futuras, que 2025 a gente arrecade ainda mais e faça chegar a quem precisa”, finalizou Neto.

Enredo da Novo Império é “Um passeio no tempo pela boemia capixaba”, segundo Osvaldo Garcia

O Carnaval Capixaba conheceu esta semana o primeiro enredo do Grupo Especial para o desfile de 2025. Com o título “As voltas que a vida dá”, assinado pelo novo carnavalesco Osvaldo Garcia, a escola do Caratoíra aposta na boemia capixaba para voltar a brilhar no Sambão do Povo. “Essa Vitória boêmia que a Novo Império vai levar é uma Vitória de boemia própria. Meio tímida, mas que existia e era explorada dentro de uma sociedade considerada conservadora. A gente inicia nos anos 30, na curva do Saldanha, no Cassino, trazendo um pouco da vivência de como era viver na Vitória daqueles anos. Tendo a França como pano de fundo de um projeto de modernidade através da art nouveau. Indo para os anos 40, nas praças e seus negócios que também eram válvula de escape para as damas da alta sociedade desfilarem com seus modelitos”, destacou o carnavalesco. Osvaldo garante que o imperiano saudosista vai se emocionar com o recorte final do enredo. “Nos anos 50 a gente tem a volta do Caratoíra que era saudada como reduto do bom boêmio, que viveu também o meretrício. Vamos trazer figuras lendárias como Dinorá, Aurora Gorda, Maria Tomba Homem, que é da região da Ilha do Príncipe, e dessa forma trazemos o encontro do imperiano com suas raízes, justamente na década de fundação da Escola”. Após publicação do enredo, muita gente associou a boêmia noturna à malandragem dos terreiros. Sobre isso, Osvaldo descartou uma presença religiosa no tema. “Nada melhor que falar da boêmia tendo a noite como pano de fundo. Levaremos o antigos carnavais, as marchinhas, mexendo com a memória afetiva de quem frequentava os clubes da Ilha. O malandro do logo fez com que algumas pessoas ligassem às matrizes africanas, mas não trabalharemos esse aspecto do malandro religioso”, explicou. Para 2025 a Novo Império terá algumas estreias em determinados cargos. Um deles é o enredista Marcus Vinicius Sant’Ana que chega a gremiação para função de enredista. Sobre a nova parceria, Osvaldo exalta Marcus e afirma que tem tudo para gerar ainda novos frutos. “É meu primeiro enredo com ele. Já estava no meu radar porque eu assistia os vídeos que ele posta no instagram sobre a história capixaba. Na preparação do último desfile da Jucutuquara ele esteve no barracão e falei que trabalharíamos juntos em breve e está acontecendo. Tudo fluiu bastante. Acredito que ele esteja contente e eu também estou muito a vontade.”, finalizou o artista.

Alex Santiago fala sobre enredo do Andaraí para 2025

Desde o resultado do Carnaval 2024 o Andaraí não para de se movimentar. Teve dispensa, renovação e contratação de novos nomes visando Carnaval 2025. Com a equipe fechada e já se preparando para o próximo desfile, a verde e rosa lançou seu novo enredo, assinado pelo carnavalesco Alex Santiago. Segundo o artista, o tema intitulado “Mercado da Capixaba, a folia verde e rosa exalta sua tradição”, tem como proposta exaltar o local desde sua formação. “A ideia partiu da escola após uma reunião. A partir disso comecei a pesquisar, ver vários estudos para criar a narrativa do enredo. Temos que começar do início, desde a formação da cidade presépio, o aterramento, a construção dos entornos. No passado, o Mercado Municipal era onde hoje é a Praça 8, depois mudou para onde é o Mercado da Capixaba. Temos que passar por todo desenvolvimento de Vitória até chegar nos dias de hoje. O incêndio, o abandono e a transformação em patrimônio, que é o renascimento, como uma fenix”, disse Alex Santiago. O carnavalesco ainda acrescentou a importância do Mercado para a Cidade e como ele e seu entorno presenciaram momentos históricos na Capital. “O Mercado foi palco para carnaval dos dois lados, tanto na Princesa Isabel quanto na Jeronimo Monteiro. Foi parte da Rádio Espírito Santo, hotel, e durante muito tempo foi o ‘ponto chique’ de Vitória. A sociedade capixaba frequentava o mercado. No primeiro setor vamos ter a cidade presépio e seus entornos, no segundo as iguarias vendidas, seguindo para o que já passou por lá até chegar no incêndio e finalizando como novo ponto para turismo capixaba.”, concluiu.