Cidade do Samba Capixaba deve levar o nome de Sinvaldo Siri; presidentes vão decidir em plenária

No último dia 23 de julho o sambista capixaba foi presentado com a notícia de que – finalmente – a Cidade do Samba Capixaba vai sair do papel. A obra entra em estágio de licitações ainda em 2024 e as construções devem iniciar após os desfiles de 2025. Apesar da inauguração ainda estar longe, a equipe do Capixabices apurou o nome que deve batizar o espaço. Em contato com presidente Edson Neto, a informação foi confirmada e o dirigente afirmou que depende das aprovações dos presidentes das escolas. “A informação é verdadeira. Estou presidente da Liga mas acima de tudo sou sambista e tento valorizar aqueles que contribuiram tanto para o nosso carnaval. Foi assim nos dois recuos de bateria do Sambão do Povo, onde homenageamos Polha e mestre Ditão. Nada mais justo que batizarmos a Cidade do Samba com o nome de Sinvaldo Siri. O presidente que, junto do poder público, fez com que o Sambão fosse construído em 112 dias. Vou levar a proposta para plenária e agora depende da aprovação dos presidentes”, informou Neto. Saiba quem foi Sinvaldo Siri Em fevereiro de 1987 o palco dos desfiles do Carnaval Capixaba teve sua estreia para o desfile daquele ano. Em impressionantes 112 dias a obra foi concluída. Dois nomes foram responsáveis para que a obra saísse do papel. Hermes Laranja, prefeito de Vitória na época, e Sinvaldo Siri, ex-secretário de Turismo da cidade e também presidente da antiga Liga das escolas de samba. Francisco Velasco, cronista de carnaval e amigo de Sinvaldo Siri, falou sobre a história da construção e o legado do homenageado. “Falo de Sinvaldo com saudades do meu grande amigo. Não conheci ninguém tão apaixonado pelas escolas e pelo carnaval como ele era. Na construção do Sambão ele foi o grande responsável ao lado do Hermes Laranja. Ele foi um leão na luta para fazer aquilo em 112 dias. Era inimaginável. Tanto que no dia do desfile de 1987 todo mundo ainda sentia o cheiro de tinta fresca. Ele deixou dois legados: a construção do nosso palco que recebe os desfiles e, no plano pessoal, Andressa Leal, nossa eterna porta-bandeira. Que desfilou pela Jucutuquara, no ano da inauguração, com apenas 11 anos. Sinvaldo Siri é um nome que não pode ser esquecido nunca pelo sambista capixaba”.

Ouça o samba oficial do Andaraí para 2025 na voz de Emerson Dias

Compositores: Danilo Cezar, Gabriel Nicolau, Xandinho Nocera, Nando do Cavaco, Fredy Vianna, André Filosofia, Alcides Júnior, Leandrinho LV, Dema e Ronny Potolski Meu orgulho é ser capixaba!Nessa magia hoje vou te levar!Pra conhecer os encantos deste meu lugar!Vitória… De braços à modernidadeEis o futuro em cada oportunidade!Viu nascer um mercado de cultura!Que na sua arquitetura, retrata nossas as tradições!Sonhos “se espalhavam” pelas ruas!Por becos, vielas e casarões…Mil histórias pra contar,Vem se apaixonar O aroma é sedutor!Iguarias vem provar!Quem vai querer, quem quer comprar?Da rádio, o tom…Alma apaixonadaO gingado da mulher amada Nas ruas, um mosaico de memóriasSegredos, testemunhas da históriaE lá vem a procissão…São Benedito dê proteçãoAbençoe minha escola!É carnaval, a galera arrepiaNum toque genial de especiariasÉ chama, que jamais apagaráNosso cartão postalO samba te faz homenagem…E o povo te faz imortal Sou Comunidade, Santa Martha é tradição!A Puro Veneno, pulsando meu coraçãoSoa o apito, já vou!O bonde vai partir…Canta ANDARAÍ!

Ouça o samba oficial da Chegou para 2025 na voz de Igor Vianna

O samba oficial da Chegou o Que Faltava foi criado pelo compositor carioca Júnior Fionda, e interpretado pelo cantor oficial da escola, Igor Vianna. Grandes nomes do samba carioca participaram da gravação. Mestre Macaco Branco, da Vila Isabel, Millena Wainer, cantora da Mocidade, e Lissandra Oliveira, cantora do Salgueiro. Ouça: Letra: O YíN NÀNÁ YÒ EU SOU O MANGUEÔ YÍN NÀNÁ YÒ RAIZ DO MEU SANGUEBATUQUE DE CONGO, AXÉ DE TAMBORDE GOIABEIRAS O POVO DO SAMBA CHEGOU(Ah mais chegou) O que faltava quando tudo era nadaOxalá foi a estrada e a Senhora anciãSaluba nanã fez da lama seu ofícioRege fim e o princípioÉ memória ancestral do manguezalO sal do corpo encontra a doçuraOnde repousam fé e culturaSubmerso ventre maternal Pescador partiu pro marNa vazante o catadorQuem me cura é benzedeiraOnde a fé perpetuouDas cantadeiras de roda a voz da liçãoSom que emerge no meu pedaço de chão Tira a canga do boi (bis)Que griô é a estrela, meninaTira a canga do boiSalve preto Benedito que abençoa meu BarreiroVou louvar Sebastião todo vinte de janeiro São Reis por Rainhas da vidaNo vale da lida, nas mãos mulembáDa lama transcende a chama!Na cuia que abriga o dom de moldarDe Mães e filhas, eterna essênciaSão paneleiras a herança em resistênciaNasci… da fogueira dessa genteDe chão nobre, imponentePreta forma de amorNos toques que ampliam meu barulhoMinha escola, meu orgulhoEvoca à vitória em seu louvor

“Guardiã da vida, luta e resistência”, parceria dos Gaviões da Fiel vence disputa de samba no Pega

A parceria de Bruna Medeiros, Fabíola Guimarães, Bebeto, Gil, Miquimba, Skolzinho & Bichão (Gaviões da Fiel) é campeã na disputa de samba-enredo do Pega no Samba. Em uma noite de grandes obras com compositores inspirados, os três finalistas se destacaram de alguma forma. A primeira parceria da noite foi a de Xanxan e cia. Com uma obra mais linear, sem grandes explosões, o samba foi bem conduzido na voz do intérprete Lauro. A parte mais cantada ficava por conta do trecho que antecede o refrão “Pega no samba é pra quem tem fé”. Segunda parceria a se apresentar foi a grande campeã dos Gaviões da Fiel ES. Em um palco bastante ‘pesado’, com Kleber Simpatia e Edu Chagas responsáveis pelas vozes principais, a parceria fez questão de dedicar a apresentação aos corinthianos que morreram em acidente voltando da caravana e aos que ainda estão hospitalizados. O refrão do samba era cantado forte pelos presentes principalmente o trecho inicial “Luanda aê, Luanda!”. Fechando a disputa, a parceria de Danilo Cezar fez uma ótima apresentação. Danilo, Guilherme Kauã, e o popular ‘Carro de Som do Axé’ formavam o palco. Com direito a alusivo da escola para emocionar e atabaques em diversos trechos da obra. Os dois refrões chamaram atenção tanto por melodia, quanto por letra. Vale lembrar que segundo o diretor de carnaval da escola, Wesley Denadai, qualquer um dos três sambas que fossem escolhidos passariam por alterações de letra. A versão com ajustes deve ser apresentada em breve na voz do cantor oficial Breno Almeida. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por CAPIXABICES (@capixabices_)

Império de Fátima lança sinopse de enredo e divulga regras do concurso de samba

O prazo limite para os compositores enviarem suas obras é dia 18 de agosto. Obrigatoriamente, as gravações deverão ser feitas apenas com voz e cavaco. Após audição interna da diretoria, a escola vai definir 3 sambas para grande final que vai acontecer dia 24/08. Para mais informações (27) 9 9878-9596 (Mestre Jorginho) Leia na íntegra a sinopse do enredo “Arte popular na corte imperial” desenvolvido pelo carnavalesco Mário Puluker e o enredista e pesquisador Felipe Diniz. “A arte é cor, ideia, sentimento e movimento. E a arte brasileira tem seus maiores templos e locais de exposições permanentes durante todos os dias das festas, celebrações, eventos e entretenimentos das culturas populares nacionais. A cultura, a educação e a arte são partes indivisíveis de uma mesma moeda geopolítico-social do mais alto valor.” Ricardo V. Barradas Sinopse: Respeitável público, ou melhor dizendo respeitável “povo brasileiro” é com muita honra que apresentamos aqui o maior espetáculo popular do planeta! E não se trata de uma apresentação artística isolada e sim uma junção de manifestações populares que fazem da nossa gente uma estrutura única. Levamos a arte através da dança, da pintura, da música, da atuação, e é claro o sorriso que é a forma única de se expressar e ser feliz. E como em um passe de mágica, vemos a tradição passar dos pais para os filhos, revelando através dos sonhos e da saudade, um aglomerado de sentimentos, que rodeiam a fantasia popular no passar das gerações. Uma lona armada, nos leva a um picadeiro onde o popular se faz aplaudir. Coelhos saem da cartola e uma trupe responsável por manter viva diversas tradições desembarca em nossa avenida principal, refletindo à poesia da descendência cigana, e vestígios de uma era medieval, de uma forma tão singular que o brasileiro adotou como sua forma de sorrir. No coração da mais pura nostalgia afirmamos que sim “Hoje tem alegria e tem sim senhor” e que o espetáculo popular só estar a começar… Nas adaptações culturais e sociais festejos foram se adequando, brava gente brasileira, que do fundo de seus quintais adaptou crenças e cortejos em eternas folias. Exaltamos aqui à folia de reis, tradição de cunho religioso trazida pelos portugueses e espanhóis no sex XIX. Viva a tradição cristã que se popularizou em nome da fé, e que de forma artística decorou estandartes através de mãos e sentimentos que elevaram a crença ao mais alto patamar. O tempo não para ao ver a arte passar, exaltando culturas que não tem fronteiras e que não conhecem barreiras geográficas, afinal um tão popular, país de direito que possui em suas curvas e terras, um formato de coração, a batida do tambor aqui com certeza seria mais forte. Ah o tambor! Sua batida nos leva a festa do divino, e a celebração da descida do espirito santo aos olhos católicos – cristãos, e sua aparição a nossa senhora e aos apóstolos. Novamente o povo às ruas a cantar, a rezar e a pedir por dias melhores. Aqui a arte esta bordada em roupas e estandartes, com lindas cores e simbolismo sem igual. E o tambor ali também se manifesta, muitas vezes enfeitado com lindas fitas coloridas, ao som de orações e cânticos de paz. Artista é o nome que se dá a quem pratica a arte. Arte, e o que é a arte? ela vem das mãos ou vem das vozes? Vem da mente ou do coração? Moldada em barro ou em palha, ela se entrelaça aos dedos, escorre pelo braço , em finas linhas entra por agulhas e carretéis, é cortada e costurada e se apresenta em forma de imagens, bonecas, vasos ou réplicas do cotidiano, que enfeitam lembranças, que são expostas e passam a ser chamadas de artesanato. Um espetáculo de talento erguido pelos mais simples e aplaudido pelos mais sensíveis. A ancestralidade popular do nosso povo, nos leva a embrenhar matas da gigantesca floresta, ali a arte se funde a lendas e ganha movimentos realistas, que dão vida a seres e deuses, apresentamos uma forma de arte que se tornou um espetáculo mundialmente conhecido pelo seu “capricho” e sua “garantia” de uma grande exibição. Exaltamos aqui a arte criar e tirar do papel grandes esculturas e de fazer movimentar cada uma delas que durante o festival de Parintins encanta os olhos de quem busca um pouco mais da cultura indígena brasileira. O popular artístico, é encontrado pelas estradas, viajar pelo Brasil, é descobrir que a cada canto, existe um pingo de arte dedicado a alguma manifestação cultural, religiosa ou folclórica. O Nordeste nos leva aos caminhos da roça, com seus festivais juninos de grande valor. A arte está na dança, na coreografia, nas músicas que encantam gerações. Espelhada nos retalhos e remendados que trazem aos espectadores a lembrança que toda cultura vem do povo, vem de pessoas simples que mesmo nos dias de gloria onde se tornam a estrela de uma festa, continuam fiéis as suas raízes. Mas como não falar de arte popular e não aplaudir a maior de todas as manifestações do Brasil, o nosso carnaval. Muito mais que uma simples manifestação, esta arte se reinventa, ano a ano, se agigantando e anexando em suas raízes, símbolos e tradições de outras artes, permitindo que o carnaval se torne, mais do que uma simples festa e sim um espetáculo, que leva o sonho do artista através de diferentes manifestações aos braços do povo. Viva o frevo, de Pernambuco, viva os grandes bonecos de Olinda, aplausos aos tradicionais e centenários blocos caricatos de Belo Horizonte, e sempre com muito orgulho, viva às nossas escolas de samba, que formam hoje um movimento artístico de resistência e integração, com sua arte tão popular, que consegue voltar os olhos do mundo inteiro durante os dias de folia ao nosso imenso país, reunindo artistas como costureiras, bordadeiras, pintores, escultores, carnavalescos, dançarinos e cantores em uma só manifestação. Somos sim os blocos de sujos que levam a alegria pelas ruas, cantando e se divertindo, fazendo do popular, a entrega perfeita

“Solte a criança que existe em você!”, parceria de Sérgio Índio vence disputa de samba na Piedade

A parceria de Sérgio Índio, Lourival das Neves, Gibson Muniz, Jefinho Rodrigues, Marquinho Gente Bamba, Xanxan e Gilson Bernini é a grande campeã na disputa e samba-enredo da Piedade para o Carnaval 2025. A Mais Querida recebeu 10 obras concorrentes, levou quatro para semifinal e três obras chegaram à final que aconteceu neste domingo (14). Primeira concorrente a subir no palco foi parceria de Átila Ibilê e cia. contou como voz oficial Josimar Corrêa que levou a obra do início ao fim com bastante qualidade. O trecho “27 de setembro, nunca deixo pra depois, nesse dia eu me lembro de agradar dois-dois” se destacava durante as passagens e era um dos mais cantados pela torcida presente durante a apresentação. Segunda parceria da noite foi a de Sérgio Índio e cia. Com Lauro comandando o microfone principal, o samba teve uma apresentação digna de ser campeã. O refrão traz o um trecho inicial muito forte, porém, a parte “Acredita Piedade” deve sofrer alterações assim como outros trechos da obra. Fechando as apresentações, o samba de Celinho da Cuica e cia subiu ao palco com Fernando Brito na voz principal. A numerosa torcida contava com muitas crianças e cantava forte o refrão principal. A versão oficial do samba 2025 da Unidos da Piedade será apresentada com ajustes no dia 4 de agosto, na feijoada da agremiação. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por CAPIXABICES (@capixabices_)

Carnaval Capixaba: Veja a ordem dos desfiles do Grupo Especial 2025

Foto: André Christo

No último sábado (13) a Liesge sorteou na quadra da Mocidade Unida da Glória a ordem dos desfiles de 2025. Como manda o regulamento, a MUG, atual campeã, escolheu sua hora de desfile. Sem surpresas, optou pela 4ª posição, mesma que conquistou o campeonato de 24. O sorteio aconteceu seguindo a ordem do resultado do último desfile. Boa Vista pegou a bola de número 6, Piedade bola de número 3, Chegou o Que Faltava bola de número 2 e Jucutuquara a bola de número 5. Duas escolas já sabiam sua ordem desde a apuração. Novo Império, por ter sido a penúltima colocada abriria os desfiles e Imperatriz do Forte, escola que subiu do acesso, tem a missão de fechar. No período de conversas para possíveis trocas entre os dirigentes presentes no sorteio, o presidente da Jucutuquara, Ewerton Fernandes decidiu trocar sua pedra com Vlamir de Oliveira da Novo Império. Sendo essa a única troca da noite. Com isso, a ordem ficou da seguinte forma: 1- Jucutuquara2- Chegou O Que Faltava3- Piedade4- MUG5- Novo Império6- Boa Vista7- Imperatriz do Forte Os desfiles de 2025 acontecem de 21/02 a 23/02. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por CAPIXABICES (@capixabices_)

Leia sinopse do enredo da Boa Vista em homenagem ao fotógrafo Sebastião Salgado

Data limite para compositores entregarem os sambas é dia 19 de agosto. Final acontece em 6 de setembro. Vídeo com a explanação do carnavalesco Cahe Rodrigues está disponível no YouTube do Capixabices. Leia a sinopse na íntegra: O Grêmio Recreativo Escola de Samba Independente de Boa Vista tem a honra de apresentar para o carnaval 2025 o enredo “Os olhos do Mundo – Assombros de Sebatião Salgado”. A homenagem ao grande fotógrafo será feita como uma aventura através da sua forma de olhar a vida e da sua jornada em busca de imagens que o mundo precisa enxergar. Sebatião Salgado é uma força viva, cujos assombros nos legaram uma arte que ressoa a essência. Janelas da almaCinzas da terra. Vasta terra de Minas Gerais. Formaram paisagens. Mais, formaram olhos. Olhos que tudo veriam. Olhos que tudo veem. Janelas de uma alma incandescente que brilharia através de câmeras fotográficas. De Aimorés, amores pelo mundo das cores, que seria retratado em tons de preto e branco. A prata do seu mundo, colorido por dentro, em sentidos, sentimentos, vísceras, assombros. Sebatião nasceu pra crescer. Salgaria os olhos dos outros com sua vista infinda. Nasceu menino-jacaré, nadando com eles no Vale do Rio Doce. A passos de adolescente, veio ao Espírito Santo. Cresceu espíritonovo à Boa VIsta de todos. Conhecer para fotografar: veio ter-se com a cidade grande. Fez de Vitória alicerce de cimento para a vida da sua vida artística. Conheceu aqui o amor – Lélia, a pianista – e a educação formal em economia. Daqui, inspirou-se a combater a injustiça social e política, grito escancarado de punho cerrado contra a Ditadura. Afiado, sem nunca desver a realidade, foi para Paris. Lélia ao seu lado e, na bagagem, a solidariedade pelos brasileiros companheiros que também lutavam contra os destroços do Golpe. E lá recomeça sua história, quando uma doença o levou a outro canto da França e a Genebra. Uma máquina fotográfica encantou sua esposa. Compraram a máquina. Comparam uma nova vista. O que os olhos veem, o coração senteAinda trabalhava com economia. A fotografia, impregnando-o devagar. Viajava muito pelas Áfricas, seu paraíso, outro lado-irmão do Brasil. As Áfricas do seu destino, do seu espírito, sem a a qual Sebastião não existiria. Pelos anos da década de 70, assim, a economia ficaria para trás. Escancarou-se a catarse: entendeu que com lentes, focos e filmes daria imagens Às necessidades sociais e econômicas do mundo. Mais: daria realidade a elas. Teria liberdade para ver. Fotografou e, para sempre, fotografaria. Entendeu que seu legado seriam vidas em preto e branco para que o mundo pudesse notar as cores cintilantes embutidas nas imagens que registrava. Militante fotógrafo? Fotógrafo militante? Sebastião é mais: sangue, carne, ossos, tudo feito de fotografia.Tons de cinza para narrar com voz gritante imagens caçadas com fotos. E o menino dos olhos infindos registrou tudo, intensamente tudo. Mágica feita com cliques de uma emoção só dele. Para sempre as Áfricas do seu coração. A terra amada de sua América Latina.O Brasil, do Sertão à Amazônia.Trouxe à luz prateada vidas muitas vezes invisíveis. As agruras do campesinato e da pobreza sul-americana. Os povos originários. Outras Américas surgiram, gravadas pela lente do gênio que percorreu continentes. Olhos que reconheceram as dores físicas de irmãs e irmãos, nômades, trabalhadores, as minas e o flagelo do garimpo da Serra Pelada. Olhos que viram a tristeza e a atrocidade dos Êxodos e Retratos de Crianças do Êxodo. Os fins e começos dos mundos.A lente combativa que nos legou espectros inalcançáveis antes dela. Mas também houve encontros com esperançosa beleza. Renascer e rever. Gênesis de Sebastião Salgado, agora homem-tartaruga que se transformou em uma para fotografá-la nas Galápagos. Assim viu mais, determinado em encontrar a vida além da humana, em essência, viva desnuda, espaços de existências. O mundo é de todas as espécies. Cosmológica não humana: Sebastião de todas as criaturas e da terra viva. Corações que passaram a bater quando guardados em filmes fotográficos. Testemunhos fotográficos do que nos faz humanos, do que nos faz árvores e do que nos faz animais – gente, planta, bicho. Cada um vê o mal ou o bem conforme os olhos que têmNão basta ver: há de se enxergar. Sebastião Salgado enxergou. Laureado com diversos prêmios, atuante de causas sociais e ambientais, enxergou o âmago das necessidades. Enxergou não só a poeira da terra, mas os pés descalços que nela caminham. Céu, terra, ar e pessoas. Sebastião noticiando as urgências da existência. Da vida que ele retratou com esmero, respeito e cuidado. Da não-vida, contra a qual se insubordinou desde cedo. Desde jacaré.Retratos para cuidar.Retratos para curar. Dedicação ao Médicos sem Fronteiras, à Organização das Nações Unidas, à Anistia Internacional. O imparável fotógrafo que luta contra os males da cegueira da crueldade. Seus olhos do mundo a salvar e salvar-se na vastidão. Ter-se consigo. Espelho dos outros. Recebeu, pela vida dedicada às causas humanas e à fotografia, a espada da Academia de Belas Artes da França.Tornou-se o que já era: imortal.Olhar infindo e imortal. Olhos que a terra há de comerE se da terra veio, à terra voltou: o Instituto Terra, em suas Minas Gerais, hoje se dedica à natureza que ele preservou em fotos. Sempre ao lado de Lélia, agora é da terra e para terra que se volta. Sua terra. A terra de sua infância. Replantar.Replantar-se.Sebastião Salgado é mata, morros, rios, riachos. Olhos da Mata Atlântica. Olhos de preservação. Paraíso a ser reconstruído com a terra do seu espírito. E, hoje no chão do Sambão do Povo, os olhos da Águia de Cariacica enxergam mais longe para exaltar vida e obra de Sebastião Salgado. A Boa Vista declama sua poesia visual ao fotógrafo dos fotógrafos, À vista que tudo vê.Aos olhos do mundo.Ao mundo do olhar.À imagem das vidas.E à vida das imagens.Eis tudo, em preto e branco.Eis tanto, no prateado dos assombros de Sebastião Salgado. Carnavalesco: Cahe RodriguesEnredistas: Clark Mangabeira e Victor Marques

A Mocidade é filha de Jorge! Parceria de Rafael Mikaiá vence disputa de samba-enredo da MUG

A parceria de Rafael Mikaiá, Roberth Melodia, Fernando Brito, Gigi da Estiva, Rogerinho do Cavaco, Marcos Bittencourt, Carlos Jarjura, Rodrigo Gauz, Ana Werka, Maurício Amorim, Thiago Meiners e Cassius Macaé (in memorian) se consagrou na noite deste domingo (7) a grande campeã na disputa de samba-enredo da Mocidade Unida da Glória, que irá homenagear São Jorge em 2025. Depois de quatro semanas de competição, com apresentações das chaves, semifinal e final, a atual campeã do carnaval escolheu seu hino que vai embalar a escola rumo a conquista do inédito tricampeonato. Em meio a 10 parcerias, o samba vencedor se destacou desde a primeira apresentação, com um refrão potente e atrativo principalmente para os muguianos apaixonados. O trecho que antecede o refrão “Faço da avenida seu altar, do samba oração / Hoje o menino se torna Leão” chama o torcedor da vermelho e branco para o refrão espetacular que vem a seguir. As três parcerias finalistas fizeram apresentações de alto nível. A primeira, de Yuri Miguel, trouxe o intérprete Rafael Tinguinha, do RJ, para defender o samba e caprichou na torcida que sabia cantar o samba do início ao fim. A parceria campeã teve como principal cantor o intérprete Fernando Brito, que conduziu o samba com maestria ao lado dos companheiros do carro de som. A parceria levou faixas com trechos da obra e o samba também foi cantado por diversos momentos em que os cantores deixavam apenas para torcida cantar. Diversos integrantes da MUG cantaram o samba a plenos pulmões. Parceria de Arlindinho Cruz e cia. fechou a noite com Danilo Cezar no comando do microfone. O bom refrão foi o destaque da apresentação que também levou numerosa torcida. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por CAPIXABICES (@capixabices_)

Puluker fala sobre sua chegada na Império de Fátima e projeta grande desfile

Com pouco mais de dez anos de idade, a Império de Fátima já passou por altos e baixos. Foi fundada em 2013, desfila como convidada pela primeira vez em 2016, vence Grupo de Acesso B em 2018, é rebaixada em 2019 e retorna em 2020. De lá pra cá, são três bons carnavais e um amadurecimento visível. Para 2025, a escola passou por processo eleitoral, onde elegeu Andressa Bisi e Esmeralda Santo como presidente e vice, respectivamente. Uma das novas contratações feitas pela diretoria é o carnavalesco Puluker, que tem consolidado ano após ano sua carreira no Carnaval Capixaba. No último sábado (22) o artista foi oficialmente apresentado a comunidade e conversou com o Capixabices sobre sua chegada numa nova agremiação. “É um momento de muita expectativa porque é a primeira vez que faço carnaval de sexta-feira. É um desfile que requer muito do carnavalesco. No especial eu já ficava de forma integral no barracão, agora no acesso não será diferente. Pensei bastante quando me fizeram o convite, essa nova diretoria me passou seriedade e disposição de fazer um grande carnaval. Recebi convites de escolas desse mesmo grupo, mas a Império de Fátima foi a que mais me convenceu com bons argumentos para fazermos um grande desfile”, explicou Puluker. Sobre 2025, o artista revelou o enredo que a escola levará para o Sambão do Povo em busca do acesso ao Especial. “Pensei num enredo leve, bastante plural e que trouxesse formas de desenvolver um carnaval com condições. Levar a escola ao lugar mais lato do pódio tem custo, por isso, pensei num enredo que fosse uma grande colcha de retalhos, um pouco de cada coisa, para amarrar e fazer um excelente carnaval. O título é “Arte popular da corte imperial”, e vamos levar as manifestações populares do Brasil. Maracatu, folia de reis, parintins, frevo, arte circense e claro, o carnaval, a maior festa popular do planeta”. No Carnaval Capixaba desde 22, quando estreou pela Imperatriz do Forte, Puluker conheceu realidades diferentes de 3 agremiações. Além da verde e rosa, esteve na Boa Vista e Novo Império, onde assinou seu último trabalho. A respeito dessas passagens, o artista avalia de forma positiva e projeta a temporada 2025. “Cheguei em 22 na Imperatriz do Forte sem condições e consegui fazer um carnaval plasticamente bonito. Não ficamos por ‘n’ problemas. Fiz um carnaval convincente na Boa Vista também. E este último, na Novo Império, a comunidade ficou super feliz. Agora na Império de Fátima pego uma escola em reestruturação, que antes era comissão, com várias mentes pensantes e as vezes divergentes. A escola precisa de um desfile leve, que a comunidade abrace e tenho certeza que faremos um grande carnaval. Tenho como característica entregar o desfile mais cedo, sem correria. Quero que seja dessa forma. Ninguém entra na avenida apenas para passar, quero marcar. Nós iremos em busca do título.” finalizou.