Parceria de Danilo Cezar confirma favoritismo, faz apresentação avassaladora e vence no Andaraí

O primeiro samba-enredo do Carnaval 2025 vem de Santa Martha! Após receber 7 grandes obras com potencial para representar o Andaraí na avenida, a escola realizou neste sábado (22) sua final e consagrou a parceria de Danilo Cezar, Gabriel Nicolau, Xandinho Nocera, Nando do Cavaco, André Filosofia, Fredy Viana, Dema, Alcides Júnior, Leandrinho LV e Ronny Potolski a grande campeã. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por CAPIXABICES (@capixabices_)

Sandro Avelar, benemérito e ex-presidente do Império Serrano, elogia estreia de Kleber Simpatia

Através das redes sociais, Sandro Avelar, benemérito e ex-presidente do Império Serrano, elogiou a estreia do cantor capixaba, Kleber Simpatia, e fez um pedido a Flávio França, atual presidente do Reizinho de Madureira. “O Império Serrano é mais que uma escola de samba; é uma família, uma tradição viva! Hoje, pedimos ao nosso presidente Flávio França algo especial: um contrato vitalício para talentoso Kleber Simpatia”. E continuou: “Kleber é a alma da nossa música, trazendo emoção e autencididade a cada apresentação. Seu talento é inestimável, e acreditamos que ele deve fazer parte da nossa história para sempre.”

Workshop organizado pela Chegou O Que Faltava traz reflexões sobre o quesito harmonia

Os sambistas capixabas se encontraram na manhã deste domingo, em Goiabeiras, para o workshop “Papo de Harmonia”, idealizado pelo departamento da Chegou O Que Faltava, que contou com a presença de referências no quesito que defendem. Anderson Binão da Boa Vista e Slin Ribeiro da MUG, abriram os trabalhos contando suas experiências vividas desde quando iniciaram o processo de construção de suas equipes. Em seguida, Amanda Ribeiro e Kleyson Faria, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da tricolor de Goiabeiras, explicaram a importância do departamento de harmonia específica do casal. Desde o período de ensaios até o grande dia do desfile e como as equipes são importantes para alcançar a tão sonhada nota 10. Para fechar a manhã, Alana Marques, primeira porta-bandeira do Andaraí, com passagens em diversas agremiações, elencou as principais práticas que devem ser realizadas diante dos pavilhões. Tanto pelos casais, quanto para presidentes, diretores, políticos, foliões e etc. Elder Alves, diretor geral de harmonia da Chegou e um dos organizadores do evento falou ao Capixabices a importância desses encontros, visando aprimoramento de diversos quesitos. “Esse evento foi organizado especificamente para o Carnaval Capixaba. Não somente para Chegou. Queremos fazer um trabalho mais comprometido, onde a gente possa propagar o conhecimento, visando o desfile. Acredito que esse pontapé seja para mostrar como estamos nos organizando e se preparando para fazer um belo desfile em 2025. Falo sempre que a harmonia não é feita apenas pela própria harmonia, e sim por todos aqueles que fazem parte da criação do desfile como um todo. Então tento sempre implementar a participação de todos, para que a linha de pensamento seja parecida e lá na frente o trabalho seja conjunto, sem distorção de informações”, disse o diretor.

Slin Ribeiro assume presidência da Comissão de Direito do Terceiro Setor OAB-ES

Desde a modernização do modelo administrativo da gestão do Carnaval Capixaba, os dirigentes da Liesge e Lieses tem conquistado cada vez mais prestígio em espaços onde por muitas vezes as escolas de samba não tinham tanto espaço. Dessa vez, o carnaval abre mais uma porta em um dos espaços mais importantes para o terceiro setor. Slin Ribeiro, diretor da Mocidade Unida da Glória e também da Liesge, é o novo presidente da Comissão do Terceiro Setor da OAB-ES. Comissão essa que é responsável pelas questões legais relacionadas a organizações não governamentais (ONGs), fundações e entidades filantrópicas. O novo presidente da comissão destacou como é importante para o carnaval ter seus representantes em determinados espaços. “A importância de ter o diretor jurídico da Liesge ocupando a função de Presidente da Comissão é de extrema relevância para as organizações e associaçãos carnavalescas, podendo contribuir ainda mais no debate e qualificação das entidades, e poder se habilitar, por exemplo, em editais de leis de incentivo e ultrapassar as barreiras de compliance de grandes grupos empresariais que queiram investir na cultura, no esporte e no social como um todo”, explicou. Slin acrecentou que as escolas já apresentam números positivos para a economia do Espírito Santo e que a tendência é aumentar ainda mais. “As entidades carnavalescas capixabas integram o terceiro setor da cadeia produtiva e, por anos, já demonstram isso com relevantes números para a economia do Estado. Ter uma comissão permanente na OAB-ES que possa interagir entre as entidades, poder público e empresas privadas será de extrema relevância para o crescimento do setor e profissionalização dos gestores. Já temos isso como meta na comissão”, finalizou Slin.

Chegou lota pracinha de Goiabeiras e celebra aniversário de 49 anos nos braços da comunidade

Seis de junho de 2024 ficará eternizado na memória do sambista torcedor da Chegou O Que Faltava. Em pleno dia útil, a tricolor de Goiabeiras reuniu uma multidão para vê-la comemorar seu quadragésimo nono aniversário. Numa noite recheada de emoções, mostrou mais uma vez que segue no caminho certo para brigar pela tão sonhada primeira estrela em seu pavilhão. Abrindo a noite a bateria Ritmo Nervoso, dos mestres Alcino Jr. e Jorge Borges, fez seu esquenta, a Velha guarda pediu passagem, seguida das baianas, passistas e destaques. Thalita Zampirolli foi coroada pela ex-rainha Jamila Alvarenga e afirmou em seu discurso que retornou para o Carnaval Capixaba com desejo de ser campeã. O momento áureo da noite foi a posse do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcel e Malu. Os dois receberam de Amanda e Kleyson o pavilhão azul, branco e rosa pela primeira vez, bailaram ao som do hino da escola, do samba de 24 cantado pelo renovado Igor Vianna, e foram aplaudidos por diversos casais de outras agremiações que estavam presentes e toda diretoria. O “Dia da Chegou” reafirma o bom momento da escola. Enredo lançado, camisas esgotadas durante a festa, rainha coroada, segundo casal empossado, e o melhor, tudo nos braços de sua comunidade mais uma vez.

São Torquato ‘aposta’ em enredo popular e atual para voltar ao Grupo Especial

A Independentes de São Torquato lançou no último final de semana seu enredo para o desfile de 2025. Com o título “Em busca da sorte…Quem não arrisca não petisca! Vamos apostar”, a vermelho e branco sonha novamente em voltar ao Grupo Especial do Carnaval Capixaba. Em entrevista ao Capixabices, o carnavalesco Oziene Furttado explicou como o tema foi concebido. “Foi uma ideia acordada com o presidente da escola. Ele pediu que eu fizesse uma pesquisa de enredos e quando apresentei este, ficou bem feliz. Queremos apresentar um enredo diferente, com uma linguagem mais para o povo. Falando da vontade do ser humano de apostar, acreditando através de amuletos que pode obter sucesso. A escolha foi principalmente pelo tema ser atual e dialogar tanto com componente da São Torquato, quanto o folião que vai ao Sambão do Povo assistir o desfile. A conexão precisa existir”, explicou. Apesar da sinopse ainda não ter sido divulgada, Oziene antecipou alguns detalhes que podem animar o torcedor da São Torquato. O enredo também terá ligação com o cinquentenário da escola. “Queremos despertar a curiosidade nos jogos, os amuletos como pé de coelho, ferradura, trevo de quatro folhas e por aí vai. E a possível condição que eles trazem de ser forma de entretenimento para as pessoas. Em todas as apostas vem a questão da dúvida, se vai vencer ou não. Vamos citar também o cinquentenário da escola, falando da grande aposta que é o carnaval, que começa desde quando o tema é elaborado, ganhar ou perder é uma consequência do bom trabalho. Queremos fazer com que o desfile de 2025 relembre os tempos áureos da década de 80, quando ganhou diversos títulos”. Em seu segundo ano consecutivo na escola, o artista explica que apesar do carnaval de 2024 não ter sido campeão, serviu de muito aprendizado para diversos departamentos da escola, incluindo presidência. Oziene também afirma que os planos para 2025 são ousados. “Quando fui convidado para executar o trabalho em 2024 viemos para fazer um grande desfile. Sou profissional do Rio de Janeiro, então ir para outra cidade, com nova filosofia, é bem diferente. Fui para Vitória e dei o meu melhor. Foi de fato uma grande ‘aposta’. Cheguei para poder mudar e deixar minha marca estética. Enfrentamos dificuldades, claro, principalmente na questão financeira. O bom trabalho vem de um conjunto de fatores. Uns dão certo, outros nem tanto. Os ajustes para 2025 já começaram, vamos trabalhar em cima do que não foi tão bom e faremos melhor. Me surpreendi neste ano porque a gente não tinha certeza de nada e somos reféns da avaliação do corpo de jurados. Vamos nos dedicar onde falhamos. O componente pode avaliar o desfile na emoção, mas nós, profissionais, precisamos avaliar pela razão”. Além da área artística, Oziene também está se integrando cada vez mais com a comunidade. Segundo ele, os fiéis torcedores da São Torquato estarão cada vez mais presentes nos ensaios até o desfile. “Nossa meta é trazer a comunidade mais pra perto. Faremos um trabalho totalmente dedicado a ela, resgatando os talentos. A intenção do enredo ter uma linguagem popular foi também devido a isso. Um ponto muito importante que coloquei para diretoria foi de agregar mais a comunidade. Escola de samba sem comunidade não tem identidade. O resgate já começou, queremos estar juntos. Fazer da escola uma extensão do quintal da casa de cada componente”, finalizou.

Feira do Samba: Sambistas se encontraram no Mucane para debater o Carnaval de Vitória

A Feira do Samba terminou neste domingo (5) e foi um sucesso. O evento, mais uma vez, mostrou que os sambistas capixabas querem – e gostam – de pensar carnaval o ano inteiro. Na sexta-feira, a primeira roda de conversas foi com Junior Schall, da comissão de carnaval da Portela. Além de suas experiências em diversas escolas do eixo Rio-SP, Schall explicou a necessidade de cada vez mais as agremiações entenderem sobre gestão de pessoas. No sábado, dois craques nos quesitos que comandam abriram os trabalhos. Slin Ribeiro, da MUG, e Anderson Binão, da Boa Vista, falaram das suas vivências, da importância das equipes, dos sucessos e insucessos. Em seguida, Pâmela dos Santos (Novo Império), Rislainy Rosa (Chegou O Que Faltava) e Orlaine de Sá (São Torquato) questionaram se o samba é realmente para todas as pessoas e a ausência de mulheres em diversos cargos de liderança nas escolas. Depois do almoço, o primeiro assunto foi sobre “Enredos” com dois grandes enredistas. Marcus Vinicius e Leonardo Soares. Mediada por Vinicius Vasconcelos, do Capixabices. Em seguida, Jocelino Junior e Patrick Rocha foram responsáveis pela mesa sobre gestão cultural e carnaval. Foram duas óticas diferentes. Uma da escola que caminha para o sucesso (Piedade) e outra de uma escola que tem empilhado troféus nos últimos anos (MUG). Para finalizar o dia, mestre Lolo, da Imperatriz Leopoldinense, compartilhou toda sua vivência de ritmista até chegar ao cargo mais alto da bateria. A presença maciça de ritmistas e mestres nesta última foi o grande destaque. O presidente Sandro Rosa, da Lieses, um dos organizadores da Feira, garantiu ao Capixabices que mais eventos como este vão acontecer no decorrer do ano. “Temos feito há dois anos eventos desse tipo para trazer qualidades e melhorias para as escolas e diretores de todos os grupos do carnaval. Queremos que todas escolas cheguem na avenida sem dúvidas nos quesitos e a troca é muito importante. O Grupo de Acesso tem crescido mais e mais, muito também devido a esses eventos. As palestras e rodas de conversa, com troca de conhecimento, contribuem muito para o sucesso nos desfiles”, afirmou Sandro.

Edson Neto é aclamado novamente presidente da Liesge

No último sábado (27) a Liesge, instituição que rege as escolas do Grupo Especial do Carnaval Capixaba, elegeu por aclamação a chapa do atual presidente Edson Neto. Além de Neto, os seguintes nomes compõem a chapa. – Vice-presidente: Emerson Xumbrega (Boa Vista)– Presidente do Conselho Deliberativo: Vlamir de Oliveira (Novo Império)– Vice-presidente do Conselho Deliberativo: Robertinho da MUG– Presidente do Conselho de Ética: Jocelino Jr. (Piedade)– Membro do Conselho de Ética: Ewerton Gigante (Jucutuquara)– Presidente do Conselho Fiscal: Dannilo Amon (Pega no Samba) Presidente Rafael Cavalieri presidiu a Comissão Eleitoral, ao lado de Slin Ribeiro e João Filipe. Com isso não ocupará cargo na nova gestão. A manutenção dos nomes que já participaram do processo de construção dos últimos três carnavais é mais um ponto positivo da Liga no que diz respeito a valorização dos presidentes das agremiações e também do processo de escuta dos mesmos. Eleito ainda em 2021, para o quadriênio de 2021-2024, Neto enfrentou de cara o desafio da pandemia. Encarou de frente, adiou quando precisou e manteve firme o propósito de realizar os desfiles em abril, como forma de resgatar a cultura para o capixaba quando a pandemia cessou. Escutou o público do carnaval quando foi questionado sobre as ‘tapadeiras’ na concentração, e, ao lado do diretor de carnaval na época, Jocelino Jr., trouxe novamente as telas e acrescentou telões para que aquele público pudesse ver os desfiles por completo. Promoveu os minidesfiles de 2023, antecipando o calendário das escolas e fez com que a construção do carnaval seguinte fosse adiantado. Alterou o sistema de iluminação do Sambão do Povo, mantendo as cores das agremiações durante o sinal amarelo. Mais recente, intensificou os diálogos com Prefeitura de Vitória, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento da Cidade e Habitação, para que a ‘Cidade do Samba’ finalmente deixe de ser um sonho e passe a ser uma realidade. A nova diretoria da Liesge será responsável pela gestão do próximo quadriênio (2025-2028) dos desfiles do Grupo Especial, e caminha junto com a Lieses para crescimento exponencial do nosso carnaval. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por CAPIXABICES (@capixabices_)

“Enredo da MUG fala de um São Jorge padroeiro do Brasil informal”, afirma Petterson Alves

De olho no tricampeonato inédito, a Mocidade Unida da Glória lançou no último domingo seu enredo para o carnaval de 2025. São Jorge, padroeiro da escola, será o homenageado no Sambão do Povo. Mais uma vez o enredo tem autoria do carnavalesco da escola, Petterson Alves, e do enredista Leonardo Soares. Segundo Petterson, o tema surgiu ainda em 2023, quando a MUG se preparava para a Feijoada do Santo Guerreiro naquele ano. “Foi um enredo bastante intuitivo, podemos dizer dessa forma. Eu estava com Jurandy dessalgando as carnes da feijoada de 23. Então brinquei com ele ‘imagina a MUG bicampeã indo para disputa do tri, o que faremos?’, ele disse que não fazia ideia. Então só apontei para as carnes e a arrumação e ele entendeu. Disputar um terceiro título consecutivo, com o Santo de devoção de grande parte do povo brasileiro é emocionante”, contou Pett. O artista fez questão de dizer e, de certa forma, tranquilizar alguns amantes do Carnaval Capixaba e da MUG, que o enredo da vermelho e branco não será bibliográfico. O São Jorge da escola será aquele que tem mais conexão com o povo brasileiro. “Quando expliquei para Robertinho a primeira coisa que eu disse foi que não queria fazer o enredo batido, bibliográfico. Todo mundo sabe que São Jorge nasceu na Capadócia, lutou, serviu ao exército romano. Essa não é a ideia. Quero falar da veneração, da conexão com o brasileiro. Sincretizado, ele é Ogum. Realmente o ferro. Um ímã que conecta as pessoas. É um santo que não tem distinção de cor, credo, sexualidade. É um santo que abençoa e cobre com sua capa encarnada. É venerado pelo preto, branco, pobre, rico, marginalizado, suburbano, inocente, condenado. É o Santo popular. Ele está no altar da igreja católica e no do botequim, a mesma devoção da carola é a do dono do bar. Isso é o retrato do povo brasileiro”, destacou. Nesta segunda passagem de Petterson pela MUG, a plástica dos dois últimos carnavais da escola foram completamente distintas. Para 2025, o carnavalesco afirma ser mais uma aposta da atual campeã.  “A MUG é uma escola eclética. Já fez de tudo, mas com religiosidade dividida entre cristianismo e sincretismo, não. Está sendo um grande desafio logo de cara para a escola. Foi uma emoção muito grande na apresentação do tema na feijoada do último domingo (21/04). Estava estampado no rosto do muguiano a satisfação de ter o santo protetor materializado como enredo. Nós, como artistas do carnaval, precisamos ter a percepção do enredo assim que ele é lançado. Isso também é um termômetro, a aceitação da comunidade é de extrema importância. Foi aceito de forma unânime. Por cristãos, umbandistas e candomblecistas que fazem parte da escola. É um sonho do Robertinho que vamos correr atrás, ele já tem 9 estrelas, mas quer o tri. E iremos em busca pedindo a São Jorge e a Ogum, senhor das estradas, para tirar todos os percalços e que mantenha o trilho em linha reta para o sonhado tri”. Apesar da ancestralidade fazer parte da construção do que conhecemos hoje como escola de samba, o carnaval de Vitória se acostumou a não ter enredos com temáticas africanas na avenida, principalmente no Grupo Especial. Enquanto em outras praças como São Paulo e Rio de Janeiro a religiosidade frequentemente está presente, por aqui pouco se fala do culto aos orixás. Sobre a responsabilidade da MUG em estar novamente na vanguarda, Pett diz que acima de tudo é preciso ter respeito. “Nós vivemos num país extremamente preconceituoso. Ao ponto de que negros escravizados quando foram trazidos para o Brasil precisaram sincretizar São Jorge com Ogum para que pudessem cultuá-lo. Muitas vezes as pessoas parecem esquecer de onde vem as escolas de samba e que elas nasceram dentro de um terreiro. É um novo desafio. É a atual campeã, num município bastante religioso, que é Vila Velha, abordando um tema sobre São Jorge e com recorte no sincretismo de matrizes africanas. Eu e Léo estamos estudando tudo com muito carinho porque queremos o santo das duas vertentes e dentro do dia a dia do cotidiano brasileiro. Afinal, estamos num país laico.”, finalizou.

Jorge Mayko sobre enredo do Pega no Samba para 2025: “O povo preto existe e resiste”

Na última semana o Pega apresentou para o mundo do samba seu enredo para 2025. O segundo divulgado do Grupo de Acesso A, e o primeiro tema afro da temporada. “Pembelê, sereias de Zambi” é o título do tema assinado pelo carnavalesco recém contratado Jorge Mayko junto do enredista Marcus Vinicius Sant’ana. *(de origem angolana, a palavra “pembelê” significa “eu vos saúdo”). Empolgado e ciente da responsabilidade de levar um enredo afro num estado tão conservador e dominado pelas igrejas neopentecostais quanto o Espírito Santo, Jorge conversou com o Capixabices e explicou que sereias são essas que irão para a avenida com o Pega em 2025. “Pembelê, sereias de Zambi surge a partir do momento de desmistificação da sereia branca europeia. Essas figuras femininas fortes, que são inkices, já eram cultuados em Angola e Congo há centenas de anos atrás. Elas chegam ao Brasil por meio dos negros escravizados e começam a ser cultuadas principalmente dentro do candomblé e da umbanda, com Oxum e Iemanjá, porque estão ligadas direta ou indiretamente ao mar. O enredo é necessário pela manutenção e respeito às religiões de matriz africana”, explicou Jorge. O artista acrescenta que apesar do estereótipo “áfrica é somente palha” que essas temáticas recebem no carnaval capixaba, a vertente utilizada pelo Pega no próximo desfile será diferente. “É uma mescla de várias situações e momentos. Primeiro por ser um afro, mas não aquele afro que as pessoas esperam de palha, sofrimento e dor. É um afro para o lado aquático, com as vertentes religiosas, que é algo que bato muito na tecla. Nos acostumamos a não ver potências africanas na avenida. O Pega é uma escola de comunidade preta, que consegue levar esses enredos com muita garra. Vestem a camisa e se jogam. Esse pra mim foi o grande fator. Acredito no carnaval como agente transformador, é preciso introduzir e levantar questionamentos, produzir assuntos e valorizar o que é nosso. Foi um grande encontro esse enredo, as pesquisas têm sido incríveis, já fomos ao terreiro e foi uma experiência muito bonita ver que está tudo fluindo bem”. No desfile de 2024, Pega no Samba e Jorge Mayko estavam em sintonias diferentes. A escola de Consolação havia acabado de subir para o Especial e buscava sua permanência. Jorge estava na Chegou, uma das grandes cotadas para brigar pelo título de campeã do carnaval. A apuração passou, o Pega sofreu o rebaixamento num desfile complicadíssimo, a Chegou ficou com a quarta colocação e algumas semanas depois o artista se desligou da tricolor de Goiabeiras. Rumo a 2025, os caminhos se cruzaram com uma oportunidade para o artista e para a escola. Será o primeiro carnaval solo de Jorge, numa agremiação que quer novamente o título do Acesso, grupo que consolidou o carnavalesco como um dos grandes da atualidade. “Chego numa escola onde basicamente tudo deu errado. Foi um carnaval extremamente difícil para essa comunidade. Sentei com cada diretor e segmento para ouvir e entender. Além da construção do desfile, nós procuramos entender os anseios que temos que trabalhar nos próximos meses. Fui do Pega por vários anos fazendo comissão de frente, então já tinha uma certa acessibilidade por grande parte das pessoas, foi uma recepção muito bacana. Visitei os barracões e a escola tem uma grande quantidade de materiais que não foram para a avenida, principalmente de ferragens. Alas prontas em costura que não desfilaram por determinadas situações. Não tem nada mirabolante no nosso projeto de carnaval, trago minha experiência do fazer com nada, também para agregar ao Pega”, finalizou.