Unidos de Jucutuquara – Carnaval 2027
Enredo: “Um rio de sonhos na capital da amizade”
Nosso lugar nasceu simples e em passos lentos, com ruas de terra e casas de palha e de cavaco. Era um lugar, um traço, um carreiro beira água, se muito um comércio, um comercinho. Bendito Comercinho da Palha. Tudo feito de sonhos que cabiam nos olhares de uma gente que em cada esquina guarda uma lembrança, em cada rosto uma história, em cada voz a memória de um tempo. Mãos que trabalharam, famílias que resistiram e gerações que nunca desistiram e que transformaram dificuldades em força e distância em união. Tempos que do pouco se fez muito.
A densa mata, o rio que batiza, a natureza exuberante e bela e a delícia de descansar da lida sob frutíferas frondosas e ver o sol se pôr na tarde sonolenta. O tempo é um poeta fugaz que conduz o espetáculo das horas, vira a página sem perguntar. Primeiros motores, primeiros traçados. Aos poucos o verde e os bichos vão dando lugar às primeiras vendas e botecos, às moradas de barro. Construções à base de taipas e enchimento de tijolinho massado, coberto de telhas cumbucas, morada de corujas, sabiás e carijós. Outros tempos vão chegando nestas bandas que emana leite e mel.
Nossa gente labuta e se junta aos que vem de todo o lugar: da Bahia, das Minas e das Geraes. O lazer e o progresso trotam sobre cavalos e mulas, bons de arado e de sela. Na parte mais alta do nosso lugar, onde a luz elétrica ainda tardou chegar, grotescas ladeiras que mui robustas nunca findam, vão sendo ocupadas por igreja, feira, cartório, loja, e aquele pequeno traço vira Fundão. Ainda mais acima, nosso pequeno quilombo urbano traz a marca de ocupação do povo preto que trabalha de sol a sol e que não esquece de celebrar e festejar cantando e dançando, de se curar se benzendo e fazendo ecoar sua cultura e seus costumes.
Assim o antigo Comercinho de Palha se tornou Montanha abençoada pelo badalar dos sinos da Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida, donde se avistava as três montanhas e o carreiro beira dágua. Nosso povo amigo e hospitaleiro ainda tem na memória os encontros e festanças no antigo mercado redondo, as tardes e noites nos botecos da cidade, para um trago pra relaxar, uns tira gostos pra alimentar o corpo, uma jogatina pra descontrair e um forró “tábua solta” pra chamegar. Agenda cumprida a risca pelo povo do meu lugar.
A cidade com sua vida bucólica viu o tempo passar com suas tradições rurais e costumes do interior como aquele café com bolo na mesa da cozinha, aquele bate papo ao cair da noite nas varandas e calçadas, aquele franguinho na panela pro almoço de domingo, acompanhado pela farinha de mandioca, pra encher a barriga e embalar o sono da tarde até a hora do futebol, pra depois esperar o sino chamando pra missa e o agradecimento em procissão pela vida, pela saúde das famílias e dos amigos, pelo trabalho semanal que traz a mesa farta. Após a missa a quermesse na praça da igreja com suas barraquinhas repletas de pratos que enchem nossos olhos e são saboreados ao som de modas que acalmam nossos corações e contam causos da vida no campo, que despertam na gente desperta uma saudade que agente nem sabe do quê.
Assim vamos mantendo o legado de sermos “filhos de raças cantadeiras e dançarinas”, como dizia o Mestre Câmara Cascudo, ouvindo e cantando ao som da viola, dançando coladinho o forró nosso de cada dia e as quadrilhas a cada mês de junho para celebrar a colheita e os frutos do nosso trabalho.
Mas, no nosso lugar temos mais um grande motivo pra nos orgulhar e fazer festa. Aqui se produz a carne de sol mais festejada de região, que nós, montanheses afirmamos com propriedade ser a melhor do Espírito Santo, a melhor do Brasil, a melhor do mundo, com um sabor que carrega tradição, identidade e excelência, que pode ser conferido no Festival que celebra esse produto e que ressalta outras tradições de nossa gente que adora festejar: o forró e o modão, a montaria do rodeio, o encontro dos amigos na Capital da Amizade, tudo com mesa farta ao sabor da melhor carne de sol, e que agora também será carne de carnaval com a união da sanfona e da zabumba com surdos e tamborins. Sem dúvidas a melhor receita pra reforçar laços de afeto e celebrar a amizade.




































