Eleições 2026: As propostas do candidato Lorenzo Pazolini para o Carnaval Capixaba

Eleições 2026: As propostas do candidato Lorenzo Pazolini para o Carnaval Capixaba

Lorenzo Pazolini, do Partido Republicanos, é o candidato da semana entrevistado pelo Capixabices

O entrevistado da semana é o candidato Lorenzo Pazolini, ex-prefeito do município de Vitória.

É necessário ressaltar que todos os cinco possíveis novos governadores foram contactados. Somente Breno Barcelos (Missão) se recusou a participar. Ficou acordado com as quatro demais assessorias que o prazo de envio das respostas seria até 16/09. Somente Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Helder Salomão (Partido dos Trabalhadores) cumpriram os prazos.

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Veja a entrevista com o candidato Lorenzo Pazolini (Republicanos)

Capixabices: Qual será a política estadual de financiamento das escolas de samba do Grupo Especial e da Série Ouro e como o governo vai garantir que os recursos cheguem em tempo hábil para a produção dos desfiles?

Lorenzo Pazolini:

Nossa relação com o Carnaval sempre foi construída com planejamento, diálogo e respeito a quem faz essa festa acontecer. Na nossa gestão em Vitória, mudamos uma lógica que durante muito tempo dificultou o trabalho das escolas: a liberação dos recursos quando a preparação para os desfiles já estava avançada. Passamos a antecipar os repasses para que as agremiações pudessem planejar, comprar materiais, contratar profissionais e organizar seus barracões com mais segurança e previsibilidade.

Para o Carnaval de 2026, por exemplo, a Prefeitura de Vitória repassou quase R$ 4 milhões em parcela única ainda no mês de dezembro. É uma demonstração concreta de como entendemos essa política: o recurso precisa chegar quando a escola precisa produzir, e não quando o desfile já está próximo.

E há uma compreensão fundamental nesse processo. O Carnaval não começa alguns meses antes do desfile. Quando uma escola termina de desfilar, já começa a construir o Carnaval do ano seguinte. É um trabalho contínuo, que mobiliza comunidades, profissionais e fornecedores durante todo o ano e representa fonte de trabalho e renda para milhares de famílias.

No Governo do Estado, vamos organizar o apoio ao Carnaval com planejamento, calendário definido com antecedência e critérios transparentes para o Grupo Especial e para a Série Ouro. Queremos que os instrumentos administrativos estejam preparados a tempo para que o recurso chegue quando as escolas estão produzindo.

Mais do que financiar um desfile, estamos falando de fortalecer uma manifestação cultural que gera emprego, renda, turismo, pertencimento e oportunidades dentro das próprias comunidades.

Capixabices: De que forma o seu governo vai se relacionar com a Liesge e Lieses, entidades que representam as escolas de samba, garantindo diálogo constante, participação nas decisões e respeito à autonomia das agremiações?

Lorenzo Pazolini:

Foi dessa forma que construímos nossa relação com o Carnaval em Vitória. Quem faz o Carnaval são as escolas. O papel do poder público é ser parceiro, oferecer condições, estrutura e segurança para que as agremiações trabalhem preservando sua identidade e sua autonomia.

Na nossa gestão, construímos uma relação permanente com a Liesge, com a Lieses e com os presidentes das escolas. Foi por meio desse diálogo que avançamos na antecipação dos recursos, na regularização das agremiações, na valorização dos profissionais e na construção de soluções para problemas históricos.

Prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini.

Um exemplo importante aconteceu em 2026, quando, pela primeira vez, todas as escolas que participaram do Carnaval de Vitória chegaram aos desfiles com regularidade fiscal. Em Vitória, também criamos condições específicas para que as escolas sediadas na capital pudessem regularizar suas pendências por meio do Refis.

Também foi ouvindo as escolas e as entidades representativas que avançamos em um sonho antigo do Carnaval Capixaba: a Cidade do Samba. Na nossa gestão, demos a ordem de serviço para a construção do complexo, inicialmente com investimento superior a R$ 51 milhões. É uma obra que representa uma mudança estrutural na forma como Vitória acolhe e valoriza suas escolas.

No Governo do Estado, vamos ampliar esse modelo de relacionamento, estabelecendo uma mesa permanente de diálogo com Liesge, Lieses e representantes das agremiações. As decisões que impactam o Carnaval precisam ser construídas com quem vive o Carnaval durante os 12 meses do ano.

O poder público será parceiro. A identidade, a criação, a história e a autonomia continuarão pertencendo às escolas e às suas comunidades.

Prefeito Lorenzo Pazolini recebeu os sambistas capixabas na sala de reunião para assinatura da ordem de serviço de construção da Ilha do Samba

Capixabices: Além do repasse financeiro, que políticas o seu governo vai adotar para profissionalizar a produção dos desfiles, incluindo formação, capacitação e apoio técnico às escolas?

Lorenzo Pazolini:

O Carnaval é uma das maiores expressões da nossa cultura, mas também é uma poderosa cadeia produtiva. Por trás de cada desfile existem costureiras, aderecistas, ferreiros, marceneiros, escultores, carnavalescos, músicos, intérpretes, profissionais de iluminação, cenografia, produção, transporte, alimentação e tantos outros trabalhadores.

E queremos avançar justamente nesse ponto: fazer com que o crescimento do Carnaval gere cada vez mais oportunidades para as pessoas que vivem nas próprias comunidades onde estão as escolas.

No Governo do Estado, vamos ampliar a formação profissional ligada à economia do Carnaval, inclusive com cursos técnicos de Artes e Cultura em parceria com a Educação. Vamos preparar moradores das comunidades para atuar em áreas como costura, adereços, cenografia, soldagem, marcenaria, produção cultural, sonorização, iluminação, gestão e prestação de contas.

Lorenzo Pazolini e o valor destinado ao Carnaval de Vitória 2026

Também vamos oferecer apoio técnico para ampliar a capacidade das agremiações de acessar editais, leis de incentivo, patrocínios e outras fontes de financiamento. Queremos que o investimento no Carnaval também forme profissionais e gere oportunidades dentro das próprias comunidades. Profissionalizar o Carnaval é reconhecer o conhecimento que já existe nas comunidades, qualificá-lo, abrir novas oportunidades e transformar talento em profissão, emprego e renda.

O Carnaval termina na avenida, mas começa novamente no dia seguinte. Queremos que essa atividade econômica permanente seja cada vez mais capaz de gerar oportunidades para quem constrói essa festa durante todo o ano.

Capixabices: Segundo dados oficiais, em 2026, o governo do Espírito Santo destinou R$ 6,7 milhões para os desfiles deste ano. Valor que reuniu recursos do Tesouro Estadual, patrocínios e emendas parlamentares. O senhor considera viável aumentar o patamar de investimento estadual no Carnaval dos próximos anos? Em quanto?

Lorenzo Pazolini:

Sim. Consideramos possível e necessário ampliar o investimento, mas isso precisa acontecer com responsabilidade, planejamento e uma visão muito mais ampla sobre aquilo que o Carnaval representa para o Espírito Santo. Na nossa gestão em Vitória, mostramos na prática que recurso destinado ao Carnaval não deve ser analisado apenas como despesa. É investimento em cultura, turismo, economia criativa, emprego e renda. O desfile movimenta dezenas de milhões de reais na economia e gera milhares de postos de trabalho diretos e indiretos.

Também demonstramos que é possível ampliar progressivamente os recursos destinados às escolas. Entre 2023 e 2026, o repasse municipal passou de aproximadamente R$ 2,28 milhões para quase R$ 4 milhões. No Governo do Estado, queremos estabelecer uma trajetória de crescimento desse investimento, associada à ampliação da capacidade de captação de patrocínios privados e à busca de recursos federais.

Prefeito Lorenzo Pazolini recebeu os sambistas capixabas na sala de reunião para assinatura da ordem de serviço de construção da Ilha do Samba

E existe uma característica do nosso Carnaval que precisa ser melhor explorada: Vitória abre o calendário dos desfiles das escolas de samba no Brasil. Somos o primeiro grande Carnaval de escolas de samba do país a entrar na avenida. Isso nos oferece uma oportunidade extraordinária de posicionamento nacional.

Nos últimos anos, conseguimos ampliar a presença de turistas de outros estados e até de outros países. Agora precisamos dar um passo além e transformar essa característica em uma estratégia de promoção do Espírito Santo.

Como governador, vamos buscar uma relação direta com o Governo Federal, o Ministério do Turismo e a Embratur para construir uma estratégia nacional e internacional de divulgação do Carnaval Capixaba. Queremos colocar Vitória e o Espírito Santo no calendário turístico brasileiro como destino de Carnaval desde o início da temporada.

Precisamos divulgar antecipadamente nossos desfiles nos principais mercados emissores de turistas, trabalhar com o setor de viagens, companhias aéreas, rede hoteleira e demais segmentos do turismo e aproveitar o fato de abrirmos o calendário para atrair visitantes que podem, inclusive, acompanhar o Carnaval Capixaba e depois seguir para outros destinos brasileiros. Os R$ 6,7 milhões destinados em 2026, portanto, não serão tratados como teto. Vamos trabalhar para ampliar esse patamar, mas não considero responsável estabelecer agora um número isolado sem conhecer o orçamento que encontraremos e sem ouvir Liesge, Lieses e as próprias escolas.

Presidentes das escolas e das Ligas celebram certidão negativa ao lado do prefeito Lorenzo Pazolini

Capixabices: O Sambão do Povo, palco dos desfiles das escolas de samba, demanda investimentos contínuos em infraestrutura, manutenção e modernização. Considerando que a organização do Carnaval envolve Governo do Estado e Prefeitura de Vitória, como o seu governo vai estabelecer uma parceria efetiva com o município para reestruturar o local, garantindo melhorias na pista, arquibancadas, segurança e acessibilidade, com divisão clara de responsabilidades e investimentos conjuntos?

Lorenzo Pazolini:

O Sambão do Povo não pode ser lembrado pelo poder público apenas quando os desfiles se aproximam. Estamos falando do palco do maior evento cultural do Espírito Santo e de um patrimônio do Carnaval Capixaba. Na nossa gestão em Vitória, começamos a enfrentar estruturalmente uma demanda histórica das escolas. Demos a ordem de serviço para a construção da Cidade do Samba, com investimento inicial superior a R$ 51 milhões, em uma área ao lado do Sambão do Povo. É um projeto que nasceu do diálogo com quem faz o Carnaval e que cria uma estrutura permanente para as agremiações.

Isso mostra como enxergamos o Carnaval: não apenas como um evento de alguns dias, mas como uma atividade cultural, social e econômica permanente. No Governo do Estado, queremos aplicar essa mesma lógica ao Sambão do Povo. Estado e Prefeitura de Vitória precisam estabelecer uma parceria institucional permanente, independentemente de quem esteja ocupando cada cargo, com planejamento plurianual e responsabilidades claramente definidas.

 

Vamos discutir conjuntamente investimentos na pista, arquibancadas, acessibilidade, segurança, iluminação, áreas técnicas, circulação de componentes e do público, conforto e toda a infraestrutura necessária para modernizar o complexo. Também queremos pensar o Sambão integrado à Cidade do Samba e a todo o potencial daquela região. Não estamos falando de estruturas isoladas, mas da possibilidade de consolidar um verdadeiro território do samba e da cultura popular capixaba, com utilização e geração de movimento econômico durante todo o ano.

Em vez de pequenas intervenções emergenciais a cada edição, Estado e Município poderão definir etapas, investimentos, responsabilidades e cronogramas. E esse projeto precisa dialogar com uma estratégia ainda maior. Se Vitória abre o calendário nacional dos desfiles, precisamos oferecer uma estrutura à altura dessa posição e trabalhar para transformar o Carnaval Capixaba em um produto cultural e turístico cada vez mais conhecido no Brasil e no exterior.

Na nossa gestão em Vitória, ajudamos a tirar do papel a Cidade do Samba e demos a ordem de serviço para sua construção. No Governo do Estado, queremos somar forças com o município, com a Liesge, a Lieses, as escolas, o Governo Federal e a iniciativa privada para iniciar um novo ciclo de valorização do Carnaval Capixaba.

Nosso objetivo é muito claro: fazer com que o Espírito Santo reconheça definitivamente o Carnaval não apenas como uma grande festa, mas como patrimônio cultural, fonte de trabalho e renda, instrumento de desenvolvimento das comunidades e um dos grandes produtos turísticos do nosso Estado.