Em Oke Odan, Aisha era princesa. Filha de um povo Nagô, nasceu entre a cultura, a dignidade e a memória de sua terra.
Mas o fogo de Daomé destruiu seu reino. Aisha foi arrancada de sua terra, transformada em mercadoria e lançada aos caminhos do tráfico. Atravessou o Atlântico entre correntes e dor, mas levou consigo aquilo que ninguém poderia aprisionar: sua memória e sua origem.
Na Bahia, recebeu novos nomes. Madalena. Maria do Carmo. Tentaram apagar Aisha, mas nomes podem ser impostos. Memórias, não.
No Espírito Santo, tornou-se curandeira, benzedeira e parteira. Suas mãos, marcadas pela violência, passaram a cuidar, curar e trazer novas vidas ao mundo. Onde o cativeiro plantava dor, Aisha fazia nascer esperança.
Até que chegou o Queimado.
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