‘Para sempre Aisha, a liberdade tem seu nome’ é o enredo da Rosas de Ouro para 2027

Logo do enredo para o Carnaval de Vitória 2027

‘Para sempre Aisha, a liberdade tem seu nome’ é o enredo da Rosas de Ouro para 2027

Escola da Serra foi a última a divulgar seu tema para o Carnaval de Vitória 2027

A Rosas de Ouro, sétima colocada o Carnaval de Vitória 2026, divulgou o título do enredo que levará para o Sambão do Povo no próximo ano.

‘Para sempre Aisha, a liberdade tem seu nome’ será assinado pelo carnavalesco Robson Goulart que permanece na agremiação pelo segundo carnaval consecutivo.

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Veja o texto de divulgação feito pela escola:

PARA SEMPRE AISHA
A LIBERDADE TEM SEU NOME

Antes do ferro, havia ouro.
Antes do cativeiro, havia reino.
Antes da corrente, havia uma coroa.

Em Oke Odan, Aisha era princesa. Filha de um povo Nagô, nasceu entre a cultura, a dignidade e a memória de sua terra.

Mas o fogo de Daomé destruiu seu reino. Aisha foi arrancada de sua terra, transformada em mercadoria e lançada aos caminhos do tráfico. Atravessou o Atlântico entre correntes e dor, mas levou consigo aquilo que ninguém poderia aprisionar: sua memória e sua origem.

Na Bahia, recebeu novos nomes. Madalena. Maria do Carmo. Tentaram apagar Aisha, mas nomes podem ser impostos. Memórias, não.

No Espírito Santo, tornou-se curandeira, benzedeira e parteira. Suas mãos, marcadas pela violência, passaram a cuidar, curar e trazer novas vidas ao mundo. Onde o cativeiro plantava dor, Aisha fazia nascer esperança.

Até que chegou o Queimado.

Em 1849, diante da promessa de liberdade transformada em traição, homens e mulheres escravizados se levantaram. Ao lado de Chico Prego e de outros insurgentes, Aisha então conhecida como Benedita Torreão também lutou.

Foi capturada. Foi castigada. Cem golpes de chicote tentaram transformar seu corpo em exemplo de submissão.

Mas não existe açoite capaz de castigar uma memória.
Não existe corrente capaz de aprisionar uma origem.

Madalena. Maria do Carmo. Benedita.

Entre tantos nomes impostos, uma única verdade permaneceu:

AISHA.

A princesa de Oke Odan.
A mulher que atravessou o Atlântico.
A curandeira.
A parteira.
A mulher que amou.
A mulher que resistiu.
A mulher que lutou.
A mulher que jamais esqueceu que nasceu livre.

E agora, no Carnaval, a memória retorna.

O que tentaram apagar, o samba faz renascer.
O que a violência tentou destruir, o povo eterniza.
O que a história tentou esconder, a avenida revela.

A coroa retorna.

Não como símbolo de um reino perdido, mas como símbolo de uma liberdade conquistada.

Porque o ferro não venceu.
O chicote não venceu.
O esquecimento não venceu.

AISHA VENCEU.

PARA SEMPRE AISHA
A LIBERDADE TEM SEU NOME.