A mesma lua alumia o destino
Na travessia minha lágrima salgou o mar
A dor deixou no peito a cicatriz
Mas não matou a raiz, forte que nem baobá
Se o corpo carregava a corrente
A alma livremente caminhava
Resistência ganhou nome quilombola
Enferrujou a argola que me aprisionava
Foi quando o apito anunciou
“Levanta nêgo, o cativeiro acabou”
Bate no couro pra chamar o caxambu!
Tem candongueiro pro batuque confirmar
Vem cá menina, arrasta a saia de chita
Pra roda ficar bonita, põe iaiá para dançar
Da aurora se faz liberdade
Por toda cidade a história corria
Segredos que a mata não vai revelar
E o tempo há de guardar essa magia
Na fé de Negro Adão, poder da oração
Que rompe as correntes da escravidão
Acende a fogueira, Laurinda
No altar do samba faz revolução!
É hora de erguer o rosário
No 13 de Maio que se anuncia
A esperança não vai se curvar
Porque no fim de cada noite
Há sempre o raiar de um novo dia
Toca o tambor que eu quero ver
A casa grande na avenida estremecer
A mais querida canta a liberdade
Kizomba no quilombo Piedade
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