A vice-campeã do Carnaval Capixaba 2024 levará para o Sambão do Povo em 2025 o enredo “Alex do Espírito Santo”. Uma homenagem ao artista Alexandre Lima, grande agitador cultural do ES na década de 80, inventor do ‘rockcongo’, fusão do rock com congo, e um dos criadores do Manimal.
Veja a sinopse:
APRESENTAÇÃO
Alexandre Lima, o nosso Alex, de Vitória, do Espírito Santo; o filho do Marcão e Vera, o irmão do Amaro e da Gabi, o pai da Sofia, da Victória e da Mariana, o grande agitador cultural da cena capixaba se tornou o músico mais importante de sua geração. Seja nas bandas Combatentes da Cidade, Gângsters, Manimal ou Radio Experienza, seja em carreira-solo ou projetos lindos que levam a sua assinatura, desfilou seu talento de cantor, compositor, instrumentista criando uma obra inesquecível e com a cara do estado que tanto amava. Batizou de “Rockongo” um movimento que não só agitou o universo cultural capixaba, como contribuiu para o fortalecimento do pertencimento de nossas raízes. Mostrou que a mistura de ritmos também poderia funcionar aqui trazendo o congo para o centro das manifestações culturais, atingindo assim um público fantástico que se orgulhava em cantar canções que refletiam nosso cotidiano, nossa identidade. Pra contar essa história na avenida do samba em 2025, a Mocidade da Praia cria um enredo sob a perspectiva do olhar do homenageado, uma resenha em primeira pessoa extraída de entrevistas e depoimentos de Alexandre, e também de amigos e parceiros de caminhada, entrecortada por versos de suas canções, tudo para mostrar a imortalidade de uma obra artística feita em azul, branco e rosa e que sempre será capaz de ecoar num riff de guitarra junto à batida de um tambor de congo: Viva Alex Viva!
“…Quando bate a lembrança
Eu canto esse congo
Que é pra Deus abençoar…”
Nasci no dia dedicado a São Jorge, o santo guerreiro. Meu pai Marcão foi DJ, radialista e produtor. Minha mãe Vera era ligada a culinária e moda e meu quarto era a discoteca do meu pai e tinha mais de 10.000 discos de vinil. Era meu ipod tamanho família, ouvia de tudo, ópera russa, Hendrix, Nara Leão, Iron Maiden, Caetano Veloso, Sepultura, Mamíferos, Aprigio Lirio, Sergio Sampaio, Roberto Carlos. Tive vários ídolos, mas, na realidade, o que me levou a seguir profissionalmente, além de gostar, é claro, foram o estilo de vida, a arte de tocar, compor e produzir. Essas coisas me fascinam e me dão vida…
“…Na noite escura eu vou te enxergar
Sol da meia noite estrela pra brilhar…”
Fui um jovem que andava com os cabelos desgrenhados e tocava saxofone numa banda de rock em meados dos anos 1980. Usava roupas escuras, batinas e todo aquele visual que remete ao movimento dark. Fazia parte dos Combatentes da Cidade, banda de rock contemporânea das influentes e lendárias Thor e o Pó de Anjo…
“…Água de benzer,
Eu vim te buscar
A galera da ilha veio te chamar…”
Veio a experiência com os Gangsters e depois com o Mahnimal e todos que dele fizeram parte marcaram a minha vida, mais que um sonho, uma realidade gravada, filmada e vivida, uma banda feita de profissionais da arte, que fazem parte do cenário musical atual do ES. Não temos segredo, é transpiração e trabalho, como escrito na nossa bandeira: “Trabalha e Confia”…
“…Tô rezando no tambor de congo
Casaca gritando o meu nome
O santo vai decolar…”
… A grande ideia foi fazer e mostrar um som com características regionais e mostrar isso aos interessados. Ela surgiu nas pedrinhas da Ufes onde o maestro Jaceguay Lins liderava a banda “Dois” e me convidou pra tocar uma guitarra no congo. A primeira apresentação foi o show “Rockongo” no Carlos Gomes – “Alexandre Lima e Banda Dois” em 1995, depois surgiu o Manimal e na sequencia o Casaca, com quem estou fazendo um tour musical. Ou seja, não importa quem fez, o importante é continuar a ideia, nesse caso é compartilhada e o sonho é coletivo…
“… Olhando estrelas do céu
Agora ginga casaca
Banda de congo e cordel
Tô rezando no tambor de congo …”
… Estamos na estrada e continuamos a fazer hits, como a música “Só tem jogador” do vídeogame mais vendido do mundo, Fifa soccer 2012, lançado mundialmente, e o Casaca, o Rastaclone e tantos outros músicos capixabas vivem da música, independente das bandas, que já são um grande sucesso…Quanto a vendagem de CDs, ninguém mais vende expressivamente os mesmos números, nem no Brasil nem no mundo. Hoje, é a internet uma das saídas da música e da divulgação, mas vale lembrar que sucesso é um ponto de vista e a vida não é filme. Cada um tem o seu momento e a música do ES está se preparando para um novo momento…
“… Aonde você for eu vou
E junto com você estou
Se você sorrir pra mim eu canto…”
… O Festival de Lisboa foi minha primeira tour internacional, diria que a Expo 98 foi um marco inicial e agora já estou na minha décima quarta tour. Foram muitos eventos marcantes, como o festival de Montreux na Suíça, dentre mais de 300 apresentações no exterior, incluindo também França, Espanha, Bélgica, Alemanha e Itália. É muita história pra contar!…
“…Eu só quero é cantar
Mudar as coisas de lugar
Mas se você não quer, eu vou só…”
… Porque acabou a indústria do cd como era, hoje o mercado está buscando novas formas de negócio e se reciclando, e nós também! Na realidade, tivemos uma grande exposição no cd Tow Tow, com clip de “Encontrei” no programa Fantástico, além da música “Água de benzer”. A diferença é que fica mais rápido o processo tendo parceiros para divulgar seu trabalho, aí entra a gravadora ou um investidor…Tow tow” é mais mixado com a musica eletrônica e o pop, e “Espírito Congo” é mais roots, tem mais regionalismo, mais congo…
“… Valeu a pena, encontrar você
e dizer que na vida nasci para amar…”
… Perdi um grande amigo de forma inesperada. Foi duro e difícil. Repensei minha vida profissional. Trago as lembranças de um grande ser humano. Queiróz estará sempre vivo no coração e na mente… Pretedo lançar um DVD solo no segundo semestre e fazer uma tour com a Radio Experienza. Mas muitos projetos estão em andamento, envolvendo Casaca, Bloco Bleque, e o mais novo é o projeto com o DJ DeepLick, o nome é Batida Nacional, que já esta com o site no ar…
“…Minha terra é minha ilha,
minha sereia, minha gota do mar…”
… A cena musical capixaba dos anos 1990 era efervescente, com bandas como Pé do Lixo, Lordose Pra Leão, Dead Fish, Mukeka di Rato, Casaca, Manimal, Java Roots, Zémaria, entre outras tantas, e o auge dessa agitação toda veio no DIA D, um festival que marcou a música capixaba. No dia 3 de julho de 1999, oito mil pessoas se reuniram na Praça do Papa, em Vitória para celebrar a música produzida aqui no Estado, já que a penetração nas rádios era difícil. Era algo utópico. Eram milhares de pessoas pagando para assistir a bandas capixabas. O Dia D foi a ponta do iceberg, tinha muita coisa acontecendo por aqui. Foi a coroação de uma geração…
“… O barco do amor é o que me leva
Da vida não levo a mágoa, a guerra o ódio, o rancor
Tem tanta gente por aí
Mas não consigo esquecer
A visão do mar pela manhã
Acordar do seu lado e sorrir
… Agora também como gestor cultural sonho em criar o projeto “A Grande Vitória da Cultura”, unindo os municípios da Região Metropolitana em um potente corredor cultural…
Só o amor pode nos salvar
Navegar em mares distantes
Cantando pra te encantar
Só o amor pode nos salvar
Navegar em mares distantes
Cantando só pra te amar…”