Com o Orí em festa, Chegou abraça temática inédita na busca pelo título de 2026

Logo do enredo da Chegou para o Carnaval de Vitória 2026.

Depois de ter conquistado a maior colocação da sua história, no ano do cinquentenário, o novo enredo da Chegou O Que Faltava precisava, no mínimo, ser tão bom ou superior ao de 2025. E pelo que foi apresentado à escola nos últimos dias, mais uma vez a tricolor da grande Goiabeiras está preparando um belo carnaval para 26. 

No último sábado (7) a Chegou explanou o enredo “Orí – sua cabeça é seu guia” para todos os diretores envolvidos no processo de construção do carnaval e também para convidados. Pela sinopse, é possível considerar o enredo da escola como pioneiro do Carnaval de Vitória. Nunca antes uma escola se aprofundou tanto numa temática africana e religiosa do início ao fim do desfile.

VEJA: CHEGOU OCUPA 16 ENCRUZILHADAS DE GOIABEIRAS

Osmar Filho (esquerda), enredista e Roberto Monteiro carnavalesco da Chegou O Que Faltava para o Carnaval de Vitória 2026

A jornada do enredo “Orí – sua cabeça é seu guia”

Roberto Monteiro (carnavalesco) e Osmar Filho (enredista), fizeram questão de salientar a leveza do enredo e também de tirar as dúvidas dos presentes. Ao Capixabices, os profissionais estreantes na Chegou detalharam o enredo.

Roberto Monteiro:

“É um desafio que a gente encara com responsabilidade. Mesmo tratando com um tema que não deveria ser sensível para uma escola de samba. Existe um consenso entre os sambistas que as escolas nascem da ancestralidade, de uma relação direta com a África. Mas já que é algo que a gente entende que é delicado ser tocado, procuramos ser claros e tratar isso de uma forma a desmistificar. O enredo se divide num eixo que tratamos a cabeça a partir de uma jornada. Essa cabeça é criada no Orun, através de Ajala, ela recebe o sopro de vida, essa cabeça com caminhos abertos é iniciada e é universalizada. E ela desce para sua jornada na terra, para cabeça física. Na terra, se depara com as escolhas onde “sua cabeça é seu guia”. 

Trecho do vídeo de divulgação do enredo da Chegou para o Carnaval de Vitória 2026.
Foto: Moreno Maciel

Osmar Filho:

“No primeiro setor é a cabeça espiritual, como Orixá. No segundo é a cabeça física. O terceiro a cabeça que lembra das outras cabeças que já passaram por aqui. E o quarto é a cabeça que educa e que também escolhe um bom caráter e bons caminhos”.

SAIBA MAIS SOBRE O ELENCO COMPLETO DA CHEGOU PARA 26

Identidade própria do Carnaval de Vitória

Relembrados sobre o momento em que a escola se encontra e sobre a missão de manter desfiles ascendentes na Chegou, os dois profissionais se mostraram muito tranquilos. E, deixaram claro, que a proposta não será de construir “carnaval do Rio de Janeiro” em Vitória. E sim, construir um carnaval de vitória para Vitória.

Trecho do vídeo de divulgação do enredo da Chegou para o Carnaval de Vitória 2026.
Foto: Moreno Maciel

Roberto Monteiro:

“É uma escola que já está muito bem estruturada. A gente chega para dar continuidade a um trabalho. Aliás, de alguma forma, o tema de 26 pode até ser considerado uma sequência do que foi visto em 25. Nanã é a lama, o barro ancestral e a partir dele se faz as cabeças. A escola é muito bem organizada, a equipe é incrível. Mantemos um cronograma rígido, que estamos conseguindo adiantá-lo. A única preocupação que tive mesmo foi assistir muitos desfiles daqui. E entendi que não estou fazendo carnaval carioca. Cada região tem sua característica. Vamos respeitar os volumes de ala, o desenvolvimento de cada um. Estamos aprendendo juntos com a própria escola. Carnaval é uma obra coletiva, se mudar uma engrenagem muda o resultado final. Todas as mãos sao fundamentais. Nós queremos somar, temos um grande líder que é o Rafael Cavalieri. É tudo decidido em conjunto. Isso tenho certeza que vai contribuir para que a Chegou tenha um grande desfile e que abra precedentes para termos muito mais histórias afro centradas.

Osmar Filho:

“No meu caso é mais uma iniciação. Estava na Tijuca e o samba falava que a “a minha sina é recomeçar”, e acho que é isso mesmo. Gosto desses processos. Minha cabeça está sendo iniciada nesse novo processo. O que me move é isso. É ótimo encontrar um novo contexto, oxigena o cérebro, o Ori”.

Entrevista completa:

Carnaval Capixaba