Pega no Samba celebra trajetória de Jairo Liberdade neste sábado

Jairo Liberdade, uma das grandes vozes do Carnaval de Vitória, será homenageado no Pega no Samba, em evento neste sábado

O Carnaval capixaba vai ganhar um momento de pura emoção e memória no próximo dia 23 de agosto, sábado, a partir das 19 horas, com a roda de samba “Jairo, a Voz da Liberdade”. O evento, que acontece na quadra da escola de samba Pega no Samba, em Consolação, faz parte das comemorações pelos 50 anos da agremiação e presta homenagem à história de Jairo, um dos intérpretes mais antigos e marcantes do Carnaval de Vitória. + ENTRE NO CANAL DO WHATSAPP DO CAPIXABICES A entrada para o público será gratuita, mas haverá a venda de mesas por R$ 25, garantindo mais conforto para quem quiser acompanhar a noite de homenagens e música. O encontro vai reunir grandes nomes do samba capixaba em um espetáculo de resistência cultural e afeto, com a participação de intérpretes do Carnaval, como Danilo Cesar, Thiago Brito, Kleber Simpatia, entre outros, além de uma roda de samba conduzida por músicos consagrados como Dorkas Nunes, Ana Cris, Bruna Medeiros, Edson Norberto, Lucianinho e convidados especiais. Além de celebrar o legado de Jairo, o evento também reverencia a história do Pega no Samba, escola que carrega um papel importante na preservação da cultura popular e no fortalecimento da identidade do carnaval no Espírito Santo. “Será uma noite de gratidão, emoção e muito samba. Jairo é mais do que um intérprete, ele é parte viva da nossa história. Homenageá-lo é também reconhecer a importância de todos que constroem o nosso carnaval”, afirma Dannilo Amon, presidente do Pega no Samba. Evento: Roda de Samba “Jairo, a Voz da Liberdade”Data: 23 de agosto (sábado)Horário: 19hLocal: Quadra do Pega no SambaEntrada: GratuitaMesas: R$ 25,00Atrações: Intérpretes do Carnaval capixaba, Dorkas Nunes, Ana Cris, Bruna Medeiros, Edson Norberto, Lucianinho e convidados.

Família Real Capixaba promove aula de samba no pé neste domingo, no Parque Tancredão

Família Real do Carnaval de Vitória 2025 na passarela do samba.

Neste domingo, 20 de julho, des 9h às 12h, o Parque Tancredão será palco de uma vivência gratuita de samba no pé, intitulada “A Coroa no Pé”, conduzida pela atual Família Real do Carnaval Capixaba. O encontro tem como principal objetivo fortalecer o samba capixaba, valorizando a expressão artística e corporal de passistas, musos, musas, destaques, rainhas e reis de bateria. A vivência também busca promover a técnica, identidade e performance dos sambistas, através de uma manhã de troca, conexão e aprendizado coletivo. VEJA TAMBÉM: ELENCOS CARNAVAL DE VITÓRIA 2026 + PARTICIPE DO GRUPO DO WHATSAPP Mais do que um workshop, o evento é um gesto simbólico de união entre os segmentos do carnaval, criando espaço para resistência cultural, empoderamento e valorização das raízes do samba, com foco especial no desenvolvimento dos artistas da nossa terra. A participação é gratuita e as inscrições podem ser feitas via WhatsApp com Vini Sayos, o atual Rei Momo: (27) 99735-5246.

Domingo é dia de workshop sobre Liderança de Carnaval na quadra da MUG

A Mocidade Unida da Glória (MUG) realiza neste domingo (6) o workshop “Liderança de Carnaval”. Será um dia inteiro com palestras inspiradoras de Claudio Tosta, Marcelo Braga, Petterson Alves, Cahê Rodrigues e Thiago Monteiro, grandes nomes da administração, marketing, criatividade e carnaval que compartilharão suas experiências e visões sobre gestão, arte e cultura. A mediação será da jornalista Any Cometti. SERVIÇO: Data: 06/07 Horário: das 10 às 18h (almoço incluído) Valor: R$50,00 Local: Quadra da MUG Inscrições no link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfxyOhT0sRJxjuIxAUjCTEswJ0Q3sD1Ho8ThPXzfZoANGgW1g/viewform?usp=header Veja lista dos palestrantes:

Sinopse do enredo da Andaraí para o Carnaval de Vitória 2026

Logo do enredo do Andaraí para o Carnaval de Vitória 2026.

A Andaraí será última escola a desfilar na segunda noite do Grupo Especial do Carnaval de Vitória. O enredo “01/12/1946” está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Alex Santiago, que foi campeão do Grupo de Acesso com a escola em 2025 e permaneceu. 01/12/1946 Foi no coração ardente de Santa Martha, ao meio-dia dourado de um 1º de dezembro de 1946, que o céu se abriu em festa e os orixás lançaram sua bênção. Sob o signo flamejante de Sagitário, nasceu a estrela da Andaraí – uma estrela que não apenas brilha, mas caminha, dança e ensina sua comunidade. O Sol sagitariano nos deu a alma dos viajantes sagrados, das palavras que encantam e dos enredos que atravessam continentes como flechas de luz. Somos feitos de esperança, liberdade e fé. Cada samba nosso é bússola para quem perdeu o norte e tambor para quem quer reencontrar sua história.Mas não viemos ao mundo sozinhos. No céu do nascimento, havia a Lua em Áries – a guerreira do coração! Foi ela quem nos ensinou a lutar com coragem e levantar com garra. Somos batuque que resiste, povo que canta ferido e ainda assim, sorri com o peito aberto. E foi Oxumarê, o arco-íris que dança entre céu e terra, quem soprou seu axé sobre a cobra-naja que nos guarda! Cobra que rasteja, que se transforma, que renasce em sabedoria. Oxumarê é o elo que nos liga ao ancestral, ao mistério, à eternidade. Ele é o fio dourado que costura nossos enredos, é serpente e chuva, é tambor e trovão! A força vital da nossa escola não se explica, se sente: ela muda de cor, muda de forma, mas nunca deixa de ser sagrada. Mas antes do primeiro desfile, no templo sagrado da Naja coroada, repousava a sabedoria dos enredos que viriam. Ali, no ventre da serpente que rasteja entre mundos e carrega a coroa da resistência, brotaram histórias encantadas que educaram gerações e forjaram uma comunidade em torno da fé, do samba e do saber. Mercúrio em Sagitário colocou nas bocas dos nossos poetas a palavra que liberta: somos escola que ensina sambando! De cada enredo nasce um mundo, de cada verso uma profecia. Somos o samba que sabe, o saber que canta! Com Vênus em Escorpião, nossa beleza é ancestral, encantada, cheia de mistério. Não somos apenas brilho: somos memória de terreiro, perfume de mata, dança dos Marte em Libra nos move com equilíbrio, criando harmonia até mesmo na guerra do desfile. Nossos passos são de justiça e beleza, nossas coreografias são como espelhos d’água onde Oxumarê se enxerga e se alegra.Júpiter em Escorpião expande nossa fé nos segredos do invisível, enquanto Saturno em Leão exige que brilhemos com honra, que nossa coroa nunca caia da cabeça nem do coração. E no horizonte dos nossos sonhos, o Ascendente em Peixes conduz a escola com doçura, espiritualidade e emoção. Somos feitos de maré e de miragem, de axé e de aurora. Sim, nascemos do céu e da mata, da estrela e da cobra, do arco-íris e do tambor. Somos Andaraí, filhos de Oxumarê, e seguimos desfilando entre mundos com a bênção do alto e a força da ancestralidade Não somos só escola de samba, somos escola de alma. Em cada batuque, em cada ala, um ensinamento; em cada fantasia, uma lição. Oxumarê — o orixá que se transforma em arco-íris e serpente — quem nos ungiu com seu mistério. Ele é movimento, é renovação, é ponte entre o céu e a terra. É dele a força que faz da nossa cobra-naja uma guardiã do conhecimento e do recomeço. Nossos enredos não passam. Eles permanecem. Como livros abertos que cruzam a avenida, como versos que germinam nas calçadas da comunidade. Ensinaram a criança, despertaram o ancião, inspiraram o artista, curaram a dor. E por isso, tornaram-se eternos. E quando o relógio marcar 3h30 da madrugada, de 07/02/2026, o céu da cidade presépio se veste com o mesmo brilho da noite em que nascemos. A serpente sagrada se ergue no Sambão do povo, coroada de luz e história, arrastando consigo um povo inteiro embalado por sabedoria e fé. A bateria “Puro Veneno” vira trovão, e sob o arco-íris de Oxumarê, a avenida se torna um templo aberto, onde cada batuque é reza, cada passo é ensinamento, cada lágrima é consagração. Do alto da última alegoria, a Naja coroada olha para seu povo – filhos, netos, sambistas e aprendizes – e, silenciosa, sopra em seus corações o ensinamento eterno: SABER É RESISTIR. SAMBA É ENSINAR. E QUEM CARREGA A SABEDORIA NO PEITO JAMAIS CAMINHA SOZINHO Axé, vitória, sabedoria! Que o mapa do nosso céu continue traçando enredos que curam, que ensinam, que emocionam! SINOPSE Sob a luz dos astros, um destino foi traçado: da estrela cadente que cortou os céus do Mulembá à serpente dourada que desceu em arco-íris sobre o povo. É com fé, garra e ancestralidade que a Andaraí refaz sua travessia pelo tempo e espaço, desfilando sua própria história como constelação viva do samba capixaba. Em seu primeiro setor, a Verdiosa inaugura a avenida com a comissão de frente “Na Flecha do Sol”, atravessando os signos de Sagitário e Áries — onde o Sol desperta o futuro e a Lua dança com coragem ancestral. A saga começa nas estrelas, com Oxumarê, orixá do ciclo e da renovação, abençoando a escola com seu arco-íris sagrado. Da constelação simbólica da naja à batida dos tambores, nasce uma escola regida pelo céu e pelos orixás. No segundo setor, os pés tocam o chão fértil de Mulembá — atual Santa Martha. Ali, entre a bola e o tambor, o futebol de várzea deu origem à batucada do Andaraí, transformando paixão em escola de samba. O bloco azul e branco, batizado pelas cores verde e rosa da Mangueira, torna-se a Verdiosa. Entre conquistas, batuques e bandeiras hasteadas, ecoa o grito de um povo que nunca deixou de sonhar. O tripé “Do Campo ao Trono” exalta a resistência que virou tradição. O terceiro setor mergulha na década de 1990

Sinopse do enredo da Jucutuquara para o Carnaval de Vitória 2026

Logo do enredo "Arreda homem que aí vem mulher", da Unidos de Jucutuquara, para 2026.

A Unidos de Jucutuquara será a terceira escola a desfilar no Sambão do Povo, na sexta-feira de Grupo Especial do Carnaval de Vitória 2026. Com o enredo “Arreda homem que ai vem mulher”, do estreante Marcelo Braga, a escola busca uma melhor colocação após ter ficado em sexto lugar no Carnaval 2025. SINOPSE Antes do mito, fui carne.Antes da reza, fui mulher.Fui coroa arrancada,mas jamais deixei de ser rainha. Me negaram o altar,me apagaram da história,mas segui – incendiando o tempo.Cruzei oceanos em silêncio,e ao tocar o Brasil,despertei em corpo de chama,em riso que corta,em salto que desafia o chão. Não precisei de trono pra ser temida.Não precisei de fogueira pra arder.Dancei com o leque, com a rosa,com a navalha escondida no peito.Fiz do ventre um templo,do prazer, um feitiço.Fui amante e abandono,cura e maldição. Falo com as mulheres esquecidas,com os homens quebrados,com os corpos que o mundo tentou negar.Eu sou o sussurro que levanta,o grito que liberta.Trabalho por quem sangra e não silencia.Por quem goza e não se esconde.Por quem entende:vergonha não é pecado —pecado é não viver. Sou madrinha dos que brilham no escuro.Espelho da liberdade que assusta.Sou a encruzilhada que mora em você. Não me curvei ao fogo,não me rendi ao medo.Fui rainha sem coroa,bruxa sem fogueira,amante sem perdão. E ainda estou aqui.No rastro do perfume.Na beira do copo.No passo da mulher que não abaixa acabeça.No axé que dança entre o céu e o inferno.Sou rosa que corta.Sou vento que vira destino.Sou Padilha. Se meu nome te assusta,é porque minha história te provoca. Marcelo BragaCarnavalesco JUSTIFICATIVA A escolha do enredo “Arreda Homem Que Aí Vem Mulher” surge da necessidade urgente de revisitar, reconhecer e celebrar as múltiplas formas de poder feminino que desafiaram – e continuam a desafiar – as estruturas patriarcais, racistas e moralistas que regem o mundo. Maria Padilha, uma figura histórica e entidade espiritual, personifica o enfrentamento dessas forças opressoras com altivez, inteligência, sensualidade e fé. Ao abordarmos sua trajetória desde a corte espanhola até sua presença nos terreiros e ruas brasileiras, revelamos como figuras como Padilha foram demonizadas por desafiarem padrões de gênero e sexualidade. Transformada em entidade de culto afro-brasileiro, ela se tornou um símbolo de resistência para mulheres, travestis, profissionais do sexo, pessoas periféricas e todos os corpos dissidentes que lutam por respeito e espaço. Dados do IBGE e do Atlas da Violência (2023) mostram que mulheres negras continuam sendo as principais vítimas de violência no Brasil. Além disso, o país lidera os índices de assassinato de pessoas LGBTQIA+ e enfrenta uma crescente onda de intolerância religiosa, com mais de 1.500 denúncias de ataques a terreiros apenas em 2022, segundo o Disque 100. Ao trazer Maria Padilha para o centro do carnaval, damos voz a essas histórias silenciadas e utilizamos a arte como ferramenta de transformação. O samba-enredo não é apenas uma homenagem; é denúncia, fé, cura e reconexão com um Brasil profundo, espiritual e político. Este enredo, ao unir teatro, fé, história, corpo e poesia, propõe um desfile que pulsa com a força de quem não se cala. É um grito coletivo: Arreda, homem. Que aí vem mulher. Que aí vem Maria Padilha. Padilha é mais do que uma personagem do imaginário popular. Ela é símbolo de força, transgressão, beleza e liberdade, uma ponte entre mundos: o passado europeu medieval e o presente urbano brasileiro; a história das mulheres silenciadas e a voz das Pombagiras que giram nos terreiros das grandes cidades. Por isso, este desfile se propõe a contar – com cor, dança e som – a história dessa entidade que se tornou espelho para tantas existências. Nascida em 1334 e falecida em 1361, Maria Padilha foi uma nobre castelhana, amante e, posteriormente, esposa do rei Pedro I de Castela. Sua trajetória desafiou as convenções de sua época: foi acusada de bruxaria, de seduzir o rei e de influenciar suas decisões políticas. Ainda em vida, já era uma lenda. Com o tempo, sua imagem se confundiu com a de uma mulher perigosa, sensual, conhecedora de saberes ocultos – uma bruxa, uma feiticeira. A travessia simbólica dessa mulher para o Brasil ocorreu com o sincretismo religioso. Maria Padilha transformou-se em entidade espiritual cultuada nas religiões afro-brasileiras, especialmente na Umbanda e na Quimbanda. É uma das Pombagiras mais conhecidas e reverenciadas – senhora dos prazeres, das encruzilhadas, da sensualidade, da proteção e do fogo. Sua imagem sintetiza o poder feminino em sua forma mais crua: desejo, independência, magia, riso e faca. E isso incomoda. Desde os tempos em que foi acusada de bruxaria até os dias de hoje, Padilha continua sendo alvo de tentativas de silenciamento – pela Igreja, pelo Estado e pela sociedade conservadora. Contar a história de Maria Padilha na avenida é um ato político, educativo e urgente. Vivemos em um país onde o preconceito religioso segue alarmante. De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos, o Brasil registrou mais de 1.200 denúncias de intolerância religiosa só em 2023. Terreiros são incendiados, lideranças espirituais negras são perseguidas e, em muitos casos, silenciadas. Além disso, há um grave déficit educacional. A Lei no 10.639/2003, que obriga o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas, é sistematicamente ignorada. Poucos jovens sabem que o samba nasceu nos terreiros, que a Umbanda é uma religião brasileira e que entidades como Maria Padilha são expressões de resistência, sabedoria e ancestralidade. O desfile é, assim, uma aula viva: uma aula de corpo, som e alma. Um livro aberto que ensina pelo encanto e pela força. Ao homenagearmos Maria Padilha, educamos sem dogmas, sem violência, sem imposições – apenas com a beleza de sua história e a potência de sua simbologia. Maria Padilha não é apenas uma entidade dos terreiros. Ela vive nas mulheres que não abaixam a cabeça; nos homens que se permitem chorar; nos corpos que dançam sua liberdade; em cada pessoa que transforma dor em beleza. Ela é madrinha das travestis que resistem nas ruas, amparo das mães solteiras, força para os que foram abusados, oprimidos e esquecidos. Padilha é símbolo

Sinopse do enredo da Piedade para o Carnaval de Vitória 2026

Logo do enredo da Unidos da Piedade para o Carnaval de Vitória 2026.

O CANTO LIVRE DE PAPO FURADO IntroduçãoPara o carnaval de 2026, a Unidos Piedade volta seu olhar para dentro. Se debruça sobre parte de sua própria história, em uma imersão poética que mistura a grandeza da trajetória de Edson Papo Furado com a experiência coletiva aquilombada que é a Unidos da Piedade. Uma amálgama de ancestralidade e resistência. “O canto de Livre de Papo Furado” é mais que um enredo. É uma ode musical que celebra e homenageia um dos maiores nomes desta agremiação. Através de seu canto e sua musicalidade, vamos inspirar a todos para que vivam livres como ele e seu canto.Papo Furado nunca se curvou diante as imposições da vida e da sociedade. Sempre foi livre, sem se definir por inteiro, mudando a cada esquina, se adaptando a cada adversidade, se moldando às necessidades e, principalmente, ressignificando cada passo. Sinopse 1° CANTO – O PRELÚDIO DO MORRO, A ORAÇÃO DO SAMBA “- Às seis horas da tarde, o sino da igreja bateu… Unidos da Piedade desceu.”Todos escolheram seus melhores sonhos, sonhos de quarta-feira, e os vestiram para seguir em cortejo, romaria, procissão, caminhada – ou melhor, descida – para acolher, cantar e encantar o Anjo Preto. Naquelas montanhas, onde as pedras são as vizinhas e é bem pertinho do céu, tão perto que os deuses desceram para acompanhar tal correria das pessoas. Aqui, o morro se fez altar. E, às avessas, na fantasia carnavalesca que tudo inverte e converte, aqui os anjos não servem os deuses: os deuses servirão e ouvirão um anjo. O Anjo Preto! De canto rouco, forte, inigualável. Todos seguiam a voz do Anjo preto. “- Foi agora que eu cheguei, Doná! Foi agora que eu cheguei” Assim ele avisava que havia chegado. 2º CANTO – DAS ÁGUAS, DOS CHÁS, DAS FONTES, MELODIAS DA HARMONIA DA VIDA Dobra, dobra, folha de caderno. Redobra mais um pouco, e temos um barquinho. É na correnteza nos fundos de casa, onde o murmúrio das águas e o canto dos pássaros são trilha sonora, que o menino Edson brincava de barquinho de papel e ouvia a tia lavando roupa e entoando: “- Madalena, Madalena / você é meu bem querer…” A descoberta dos sons vem da natureza, não só do ambiente enquanto brinca, mas de sua natureza negra manifestada nas toadas de congo, magia das forças ancestrais de África em batuque de tambor. Louvando São Benedito, puxando mastro, rodando saia e cantando. “Eu já batia Congo desde pequeno”. E foi ainda pequeno que ele seguiu os conselhos de sua avó e fez a receita do gargarejo de cigarra. “Vai na mata e pegue as 3 cigarras que mais cantar, faça um chá e gargarejo. Não pode beber, apenas gargarejar“. Das águas da correnteza, da brincadeira com barquinho, ao morro das fontes, as águas da vida se desenham feito rio na mata. E antes de sambista? Sapateado e rockeiro! Cabelo grandão, estilo black-power, ouvindo Chuck Berry, Elvis e Little Richard. O adolescente Edson treinou o sapateado dos filmes mudos, a liberdade dançada e, sobretudo, o protagonismo de ser o que se quiser. Enfim… a vida foi seguindo seu fluxo e serpenteando feito a mais perfeita melodia dedilhada por Papo em um violão. A música sempre se fez presente, moldando, criando e recriando o dia a dia. 3º CANTO – DA BOEMIA, DA NOITE, RUA SETE, RODAS, BATUQUES E SAMBAS “Edson! Canta aquela música do Papo-furado.” No caminho do trabalho, a parada no bar do Adão. O violão ajuda a entoar os versos: “Mudando de conversa onde foi que ficou/Aquela velha amizade/Aquele papo furado todo fim de noite…”, gravada por Dóris Monteiro, mas eternizada na voz de Edson, o Papo Furado. Foi elevando os ideais de liberdade à potência máxima que ele se tornou o Papo que todos conhecem. É no samba que sua negritude se manifesta de forma consolidada. Os tambores rememoram os batuques que ouvia quando criança. “Bate forte no couro e deixa o pêlo arrupiar”, seu grito, uma invenção de seu irmão e parceiro de composições – Edmilson Caroço – reflete muito essa relação entre a batida do tambor e a ancestralidade. “Senhor me perdoa/Por este pecado que eu fiz/Descer o morro cantando/Enquanto batia o sino da matriz.” De bar em bar, de templo em templo, a sagração da vida boêmia. É nos botecos que ele reza, nos bares que alimentam a sua alma. “- a minha igreja é isso aqui, ó, o boteco, eu não sei rezar, porra, vou fazer o que em igreja?”. O sambista que se preze não tem hora pra chegar/faz do samba sua oração/o violão o seu altar”. É no sobe e desce, pelas ruas, esquinas, becos e escadarias, no morro, nos bares, nos palcos, na Rua Sete, na Piedade, no Moscoso e na Fonte Grande que a poética do dia a dia forja o ser musical de Papo Furado. Um filósofo da simplicidade da rotina, a cada levantada de copo, uma reflexão, o poder de transformar o trivial em riso, elevando a poesia do cotidiano ao divino. Cantando a beleza da musa inspiradora, a “Mulher Luz”, ou o malandro com “Bafo de Tigre”, que nem urubu aguenta, sua voz vai dando voz e vida a todos que se reconhecem na corriqueira poética do cotidiano, afinal quem nunca se embalou com a sinfonia do pingo d’água que cai pelo buraco, no zinco do barracão, sobre a bacia no chão. “Faça tua sinfonia/ pra fazer a nostalgia dentro do meu coração/vem de volta pingo d’água/dono do meu coração” E, assim, empresta sua voz, também, ao exercício de salvaguarda, como parte da Velha Guarda do Samba Capixaba, se colocando como um bastião do samba. Junto aos outros, forma uma guarda negra para perpetuar a cultura, que segue marginalizada, lembrando que até preso já foi por fazer samba. E assim seguiu, fazendo samba, emprestando sua voz para as outras vozes, sendo capitão da malandragem. Um líder que, gingando pela vida, sambou por todos os cantos, e cantou por todos os sambas. Papo é a

Jucutuquara anuncia saída de carnavalesco, coreógrafa, intérprete e mestre de bateria

A Unidos de Jucutuquara anunciou a saída de quatro profissionais responsáveis por quesitos. São eles: o carnavalesco Orlando Jr., a coreógrafa da comissão de frente Giovana Gonzaga, o intérprete Edu Chagas e o mestre de bateria Junior Caprichosos. As baixas indicam uma reestruturação interna, após o fatídico desfile de 2025, que quase culminou no rebaixamento da agremiação.

Renovados! Intérprete Dodô Ananias e mestres Vitor Rocha e Amon Lucas continuam na Imperatriz do Forte

A Imperatriz do Forte anunciou renovação de dois quesitos que se destacaram no desfile de 2025 da escola. Para 2026, a escola já garantiu a permanência do intérprete Dodô Ananias, que vai para o segundo ano na verde e rosa. E também a manutenção dos mestres Vitor Rocha e Amon Lucas, que ao lado dos ritmistas da Berço do Samba, conquistaram a nota 20 no último desfile. Ouça o samba ao vivo da Imperatriz do Forte:

Edson Papo Furado é o enredo da Piedade para 2026

Um dos sambistas mais populares do Espírito Santo receberá ‘flores em vida’ no Sambão do Povo. Edson Papo Furado é o enredo da Piedade para o próximo Carnaval. A Mais Querida aposta na história de vida do baluarte para quebrar o jejum de 40 anos longe do lugar mais alto do pódio. Veja o vídeo de divulgação produzido pela escola:

Vanderson Cesar não é mais carnavalesco da Chegou O Que Faltava

Chega ao fim o ciclo do carnavalesco Vanderson Cesar na Chegou O Que Faltava. Em 2025, com “Da lama sai muito barulho”, seu primeiro carnaval em carreira solo, conquistou com a tricolor o vicecampeonato. Nos quesitos que competem diretamente ao carnavalesco, Vanderson levou as seguintes notas com o desfile:Alegorias – 9,9 / 10 / 9,9Fantasias – 10 / 10 / 9,9Enredo 10 / 9,9 / 10