Na tarde do último domingo (29) o Andaraí lançou o samba-enredo que contará e cantará a história do ilustre compositor capixaba, Adil de Paula (Zuzuca).
Nascido em Cachoeiro, em 1936, foi no Rio de Janeiro, na vermelho e branco da Tijuca, que Zuzuca se consagrou. O ano era 1971, o Salgueiro havia acabado de ser vice em 1970 e buscou no enredo “Festa para um Rei Negro” a redenção para o título. No quesito samba-enredo, coube a um capixaba criar uma das letras e melodias mais cantadas em todo o mundo.

“Ô-lê-lê, ô-lá-lá / Pega no ganzê / pega no ganzá” é curto, objetivo e chiclete. Tudo aquilo que os presidentes buscam nos dias atuais para que suas respectivas escolas tenham um momento de grande explosão de canto no desfile. Na época, as notas máximas no quesito vieram e contribuíram para o título do Salgueiro.
Voltando para Vitória, mais precisamente em Santa Martha, o samba do Andaraí, criado pelo compositor Fernando de Lima, “traz” Zuzuca como homenageado, mas sem contar a história de vida de maneira literal. A primeira do samba até flerta com uma cronologia, dizendo onde ele nasceu, profissão e para onde foi. Porém, é na segunda onde a poesia brilha.

O verso No carnaval, renomados artistas e grandes sambistas se tornaram fãs e Oh rei…nos meus versos te faço viver / hoje o povo do samba abraça você emocionam e traduzem aquilo que Zuzuca foi e o desejo do Andaraí de tranformá-lo em rei, como bem diz o título do enredo.
Que 1971 foi histórico para o Salgueiro o mundo do samba sabe, o que nem todo mundo lembra é que o samba de 1972, com o enredo “Nossa madrinha, Mangueira querida”, também foi escrito por Zuzuca. E a verde e rosa faz questão de recordar isso no refrão principal sacana e ousado.
Pega no ganzê, pega no ganzá
É Zuzuca na avenida, Santa Martha é mulembá
É tengo, tengo, Santo Antônio e chalé
Andaraí tira onda, salve meu povo de fé
Em quatro versos o Andaraí cita o samba de 1971, Zuzuca, Santa Martha, o Mulembá – tão importante para a história da escola -, o samba de 1972 e ‘tira onda’, relembrando o samba de 2022, um dos mais cantados na atualidade.
Evento também teve posse do segundo casal e da nova madrinha da bateria Puro Veneno

O público presente no Caxias também teve a oportunidade de ver, pela primeira vez, o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira do Andaraí, Gabriel Barbosa e Mariana Sales. A dupla recebeu o segundo pavilhão, tradicionalmente nas cores azul e branco, das mãos do primeiro casal Sylvio Abreu e Yasmim Liz. Em seguida, a nova madrinha da Puro Veneno, Gabrielle Christine, recebeu sua faixa.
Ouça o samba do Andaraí para o Carnaval de Vitória 2027
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