Sinopse do enredo da Rosas de Ouro para o Carnaval de Vitória 2026

Logo do enredo da Rosas de Ouro para o Carnaval de VItória 2026

A Rosas de Ouro, única escola da região serrana no Grupo de Elite do Carnaval de Vitória, foi a última agremiação do grupo a divulgar seu tema oficial para o próximo desfile.

“Cricaré das origens – Brasil que nasce em São Mateus” é o título do enredo que será desenvolvido pelo experiente carnavalesco Robson Goulart. Segundo o presidente Francisco Carneiro não haverá disputa de samba-enredo e será encomendado a Rafael Mikaiá, Roberth Melodia e cia.

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VEJA A SINOPSE:

EU SOU SÃO MATEUS. E MINHA VOZ É ANTIGA COMO A BRISA DO RIO.
Nasci onde o silêncio dança com o vento.
Sou filha do Cricaré!
Ventre sagrado onde o tempo se banha e as árvores cochicham segredos.
Antes do nome, eu era reza.
Antes da história, eu era tambor.
Quem primeiro me chamou de casa foram os que nasceram da mata:
Tupiniquins, Aymirés, Botocudos, Aimorés…
Seus pés tocavam meu chão como prece,
Suas mãos plantavam o mundo em forma de rito.
E quando venciam, celebravam com o corpo do vencido
— não como castigo, mas como alquimia da força.
Era antropofagia, sim — mas de alma, de espírito, de cosmos.
Sou feita dessa sabedoria que se perdeu nas brumas,
Mas que ainda canta em mim.

ENTÃO ME INVADIRAM COM CRUZ E FOGO.
O mar virou espelho de velas estrangeiras.
Vieram homens cobertos de ferro, falando em salvação, cuspindo pólvora.
Vieram me converter — mas me rasgaram.
Primeiro, tentaram me nomear: “Povoado do Cricaré”, disseram, em 1544.
Depois, me tomaram para um santo que eu sequer conhecia:
“São Mateus”, disse Anchieta, em 21 de setembro de 1566.
E apagaram o nome que a mata me dera.
Vieram padres com salmos e soldados com espadas.
Mas meus filhos não aceitaram o jugo em silêncio.
A Batalha do Cricaré foi meu parto em dor: sangue nas folhas, resistência nas veias.

ENTÃO ME ACORRENTARAM — MAS NÃO CALARAM MEU CANTO.
Vieram as naus da noite.
Trazendo meus irmãos da África, acorrentados em ferro, mas cobertos de axé.
Fui entreposto de dor.
O último navio negreiro me tocou — e eu me tornei cicatriz.
Mas onde há dor, há semente.
E nasceu em mim Zacimba Gaba — rainha ferida que virou veneno, quilombo, liberdade.
E depois brilhou Benedito Meia-Légua,
Filho do trovão, que dançou com os ventos da revolta, convocando os oprimidos ao levante. Sou feita de
quilombo, de fuga, de coragem.
Sou tambor que resiste, mesmo quando o couro sangra.

E QUANDO O VENTO TROUXE OUTROS FILHOS, TAMBÉM OS ABRACEI.
Vieram italianos com sonhos na bagagem,
chamados por um barão que temia perder o cativo.
Chegaram em 1887, plantaram lavouras, colheram esperanças.
E eu os abracei — como abraço tudo que chega com desejo de raiz.
Misturei o dialeto à ladainha, o vinho ao fubá, e costurei o mundo inteiro num só chão.

MINHA VOZ CANTA, MINHA FÉ DANÇA.
Fiz da dor um poema.
Fiz da lembrança uma festa.
Ticumbi, Jongo, Reis de Boi, Capoeira, Congo
— meu povo dança com o espírito e luta com o corpo.
Nas festas de São Benedito, o tambor não é só som:
é chama, é louvor, é herança viva.
Na ribalta do Festival de Teatro, viro personagem e palco.
E no Carnaval de Guriri, me visto de sol e espuma,
e me lanço no mar da alegria com o rosto pintado de liberdade.

SOU TERRA FARTA — MAS NUNCA VENDI MINHA ALMA.
Meus campos dão café, coco, pimenta, e minhas águas, vida e sal.
Sob meu ventre pulsa o ouro negro do petróleo,
mas meu coração ainda bate no ritmo da floresta.
Guardo em mim os verdes santuários: Córrego do Veado, Rio Preto, Palmarum.
Sou jardim dos orixás, casa dos bichos, altar da terra.
Aqui, como escreveu Caminha, “em se plantando, tudo dá.”
Mas comigo, até o invisível floresce.

ROSAS DE OURO, LEVEM MEU CANTO AO MUNDO.
Sou a segunda cidade mais antiga do Brasil,
mas carrego no peito uma juventude ancestral.
Sou menina dos olhos do Espírito Santo,
sou anciã da história do Brasil.
Sou terreiro, sou altar, sou poesia, sou revolta.
E agora, Rosas querida, sou ala, sou samba, sou voz na avenida.
Levem-me com vocês. Cantem por mim. Gritem meu nome como se fosse o de vocês.
Porque eu sou São Mateus.
E vivo em cada um que pisa o chão com dignidade,
que samba com memória, que canta com fé.

Logo do enredo da Rosas de Ouro para o Carnaval de VItória 2026

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