A atual campeã do Carnaval de Vitória, Independente de Boa Vista, divulgou no último domingo (22) o enredo que levará para avenida em 2026. Buscando o bicampeonato, a tricolor vai homenagear um dos maiores símbolos do município: João Bananeira.

Na semana em que Cariacica completa 135 anos, com programação diversificada na Orla da cidade, a Boa Vista foi uma das atrações e atraiu centenas de pessoas para assistir a grande campeã do Carnaval 2025. Cantando sambas históricos (Elisa Lucinda, Cigana e etc), Emerson Xumbrega deu o tom da apresentação, ao lado da bateria Águia Furiosa, de mestre Gustavo, passistas, baianas, casais de mestre-sala e porta-bandeira e parte do elenco da comissão de frente.

Cahê Rodrigues, carnavalesco campeão e renovado, fez questão de relembrar a importância do tema de 2025, antes de anunciar o do próximo ano.
“A Boa Vista foi campeã do carnaval. Foi maravilhoso. Sebastião Salgado recebeu uma homenagem linda do povo de Cariacica, e, vida. Ele pode ver o desfile de casa e vibrou com o titulo da nossa escola. Mas o que faremos para o próximo ano, quando a escola vai completar 50 anos de história? Neste cinquentenário, a Boa Vista resolve dar um presente para o município de Cariacica, em 2026 vai cantar o folclore, a força de resistência, de uma das figuras e dos movimentos mais ricos do município”.
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Antes de terminar, Cahê já estava sendo ovacionado. Em seguida, leu o texto preparado para o lançamento.
JOÃO DO CONGO – A Voz que Dança nas Folhas da Resistência
Na cadência dos tambores do Congo e sob o véu da noite de Roda D’Água, surge João Bananeira, figura enigmática, herói mascarado das lutas silenciosas e dos gritos abafados pela opressão.
Com a alma vestida de resistência e o corpo coberto por folhas e panos, ele dança — não apenas por folia, mas por liberdade.
Nossa escola mergulhará na memória ancestral do município de Cariacica, Espírito Santo, para reverenciar o Carnaval de Congo de Máscaras de Roda D’Água, onde os negros escravizados, sob o manto da fantasia, desfilavam suas dores e esperanças.
Os senhores de engenho não os reconheciam, mas suas almas sabiam quem eles eram: filhos das Áfricas, guerreiros do batuque, defensores da cultura.
João Bananeira, personagem forjado na sabedoria popular, é símbolo dessa rebeldia disfarçada, desse riso subversivo que se vestia de mato, de espanto, de espírito.
Ele representa a coragem dos que, mesmo sob as amarras da escravidão, reinventaram a liberdade nas brechas da festa.
Com máscaras, cores, tambores e cantos, a Águia de Cariacica contará a história dessa tradição única, na qual o Carnaval se torna resistência, a cultura se transforma em escudo, e João Bananeira, com sua dança inconfundível, vira lenda viva do povo.
Cahê Rodrigues
Carnavalesco
Clark Mangabeira e Victor Marques
Enredistas