Na intenção de caminhar junto com os sambistas capixabas, o Capixabices apresentará aos leitores os candidatos a vereador e vereadora que são diretamente ligados ao universo do Carnaval. Afinal, não é segredo que temos diversos nomes que ajudam as escolas, Ligas, baterias, alas e etc, e que contribuem muito para construção da nossa festa. As 10 questões são iguais para os candidatos.
Conheça o candidato a vereador Raniery Ferreira, do Partido dos Trabalhadores (PT).
1 – Como você enxerga o momento atual dos desfiles das escolas de samba?
Vejo o momento atual dos desfiles das escolas de samba como um período de grande evolução e celebração do nosso carnaval. Os desfiles têm mostrado um crescimento impressionante, tanto em termos de criatividade quanto de organização, e essa agenda cultural está cada vez mais consolidada no calendário da nossa cidade. É muito gratificante ver como o nosso carnaval tem se fortalecido, tanto internamente, com os capixabas cada vez mais identificados e engajados com os desfiles, quanto no cenário nacional, tornando-se um verdadeiro patrimônio cultural que atrai olhares e admiração de todo o Brasil.
2 – Se eleito, como pretende contribuir para o crescimento dos desfiles?
Se eleito, meu objetivo é apoiar a profissionalização do carnaval de Vitória. Pretendo trabalhar para que as escolas de samba tenham gestores eficientes e equipes de profissionais capacitados em suas estruturas. Com uma gestão mais qualificada, as escolas poderão planejar melhor suas atividades, captar mais recursos e, assim, elevar o nível dos desfiles, fortalecendo ainda mais essa tradição cultural tão importante para nossa cidade.
3 – Ainda existe uma disparidade visual entre as escolas de sexta, sábado e domingo. Caso eleito, o que será feito para elevar o nível dos desfiles do Acesso?
É natural que haja alguma disparidade entre as escolas que desfilam na sexta, sábado e domingo, mas essa diferença não pode ser tão gritante como é hoje. Acreditamos que essa disparidade está diretamente ligada à questão dos recursos disponíveis e à profissionalização das gestões das escolas. Caso eleito, meu foco será incentivar melhorias nesses dois aspectos, proporcionando apoio para que as escolas do Grupo de Acesso possam se estruturar melhor, captar mais recursos e, assim, elevar o nível dos seus desfiles. Com uma gestão mais qualificada e recursos adequados, poderemos diminuir essas diferenças e garantir um carnaval mais equilibrado e impactante.
4 – A Cidade do Samba Capixaba já é uma realidade. Após a entrega da obra pronta, como fomentar ainda mais a cultura das escolas de samba no município?
A Cidade do Samba Capixaba é um marco significativo para o nosso Carnaval. Inspirada na bem-sucedida Cidade do Samba do Rio de Janeiro, que desde 2006 centraliza a produção carnavalesca e promove integração cultural, a nossa versão capixaba tem o potencial de replicar e até expandir esses benefícios. Para fomentar ainda mais a cultura das escolas de samba, penso que se utilizarmos esse espaço não apenas para a criação dos desfiles, mas também para eventos de formação, oficinas, e intercâmbio cultural, envolvendo tanto as escolas de samba quanto outras manifestações culturais da cidade. A participação ativa da comunidade escolar e de outros grupos culturais nesse ambiente será crucial para transformar a Cidade do Samba em um verdadeiro polo de cultura e aprendizado, que valoriza e amplia o alcance do nosso carnaval.
5 – Qual sua escola do coração? E por quê?
Minha escola do coração é a ‘Chegou o Que Faltava’, e isso vai além de uma simples escolha. Acompanhei de perto a trajetória dessa escola, que passou de ser vista como o azarão, até ser injustamente apelidada de ‘Chegou a que faltava tudo’, para se transformar nessa gigante do carnaval capixaba que é hoje, uma das favoritas ao título. Mais do que testemunhar essa evolução, tive o privilégio de contribuir para o seu crescimento e transformação. A relação que a ‘Chegou o Que Faltava’ construiu com a comunidade da Grande Goiabeiras, baseada em vínculos fortes e respeito mútuo, também é algo que me enche de orgulho. É essa história de superação, envolvimento e pertencimento que faz dela a minha escola do coração.

6 – Na sua visão, o que ainda precisa ser feito nos arredores do Sambão do Povo para o crescimento dos desfiles?
O Sambão do Povo, construído em 1987, foi projetado para um carnaval capixaba bem diferente do que temos hoje. Com o crescimento do nosso carnaval, é natural que a estrutura original enfrente dificuldades para acomodar um evento desse porte. Embora a reforma de 2012 tenha contribuído significativamente, muitos dos problemas estruturais permanecem, especialmente na área de dispersão, que continua sendo um dos principais desafios, gerando complicações a cada ano. Para garantir que o espetáculo continue crescendo em qualidade e grandiosidade, é essencial repensar tanto o acesso quanto a estrutura física do Sambão do Povo. Uma reavaliação abrangente dessas áreas poderá proporcionar uma experiência ainda mais grandiosa para os desfiles e para o público.
7 – Como você enxerga as ações feitas pelas agremiações no decorrer do ano? Que vão além dos desfiles de fevereiro.
Eu acredito que muitas agremiações fazem o possível dentro das condições que possuem. Infelizmente, nem todas as escolas de samba de Vitória conseguem manter uma agenda contínua de atividades ao longo do ano, já que, muitas vezes, ainda enfrentam dívidas remanescentes do carnaval anterior ou outros tipos de problemas internos. O ideal seria que as escolas tivessem recursos, estrutura e uma gestão eficiente ao bastante para se envolverem ativamente em atividades culturais e históricas da cidade e das comunidades em que estão inseridas durante todo o ano. No entanto, é importante também reconhecer as limitações e peculiaridades que cada agremiação enfrenta. A realidade é desafiadora, mas as escolas que conseguem se manter ativas fora do período do carnaval demonstram um compromisso incrível com suas comunidades.
8 – Como podemos pensar a cidade nos dias de carnaval oficial?
Durante os dias de carnaval, a cidade deve se transformar em um grande palco de celebração cultural, onde todos os cantos respiram o espírito do Carnaval. Esses dias precisam ser mais do que apenas festividade; devem ser momentos em que as pautas e temáticas apresentadas por cada escola de samba na avenida sejam discutidas e valorizadas pela comunidade. É uma oportunidade para promover diálogos sobre as questões sociais, históricas e culturais que cada escola traz em seu desfile, integrando a cidade em um processo de reflexão e celebração conjunta. Assim, o carnaval se torna não apenas uma festa, mas um espaço de troca e aprendizado, onde a cultura é vivenciada em sua forma mais vibrante.
9 – Como aprimorar a distribuição de recursos de maneira que as escolas possam construir o Carnaval de março a fevereiro?
Para garantir que as escolas de samba possam construir o Carnaval de forma contínua, de março a fevereiro, é essencial que essa destinação de recursos esteja claramente prevista tanto no Plano Plurianual (PPA) quanto na Lei Orçamentária Anual (LOA) do município. Para isso, será necessário um entendimento e uma articulação sólida entre os vereadores, visando a destinação de recursos mais específicos e voltados para atividades carnavalescas ao longo de todo o ano. Dessa forma, a cidade poderá estar mais próxima das escolas de samba, apoiando-as na construção de um carnaval robusto e sustentável, que envolve não apenas o período do desfile, mas também as preparações e atividades culturais que ocorrem durante todo o ano.
10 – Como pensar em um processo de formação para trabalhadores do carnaval? (Aderecistas, ferreiros, costureiras e etc)
Estando envolvido no carnaval há muitos anos, sempre ouvi sobre a dificuldade de encontrar profissionais especializados para a confecção de roupas, adereços e carros alegóricos. Diante desse desafio, nos últimos anos, junto à Chegou o Que Faltava, com o presidente Rafael Cavalieri, decidimos promover cursos de especialização dentro da própria comunidade, mais especificamente na Associação de Moradores de Maria Ortiz. Se é difícil encontrar esses profissionais no mercado, por que não formá-los aqui mesmo? Esse processo não só qualifica os moradores, dando a eles uma profissão e a capacitação necessária para o mercado de trabalho, mas também fortalece a escola de samba, que passa a contar com profissionais capacitados para ajudar nas confecções. Além disso, isso gera um impacto positivo na comunidade como um todo, já que o dinheiro que esses trabalhadores ganham é reinvestido localmente, impulsionando o comércio da região.